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Irão está a reconstruir a sua base industrial militar mais depressa do que o esperado. Drones são preocupação especial

CNN , Zachary Cohen e Natasha Bertrand
21 mai, 09:03
O drone iraniano HESA Shahed 136 está em exposição no Parque Aeroespacial Nacional, em Teerão, Irão, a 12 de novembro de 2025. Yuji Yoshikata/AP/Arquivo
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Os ataques com drones são uma preocupação particular para os aliados regionais

O Irão já terá retomado parte da produção de drones durante o cessar-fogo de seis semanas iniciado no começo de abril, um sinal de que está a recuperar rapidamente algumas capacidades militares degradadas por ataques dos EUA e de Israel, segundo duas fontes conhecedoras das avaliações das secretas norte-americanas. Quatro fontes disseram à CNN que as forças dos EUA indica que as forças militares iranianas estão a ser reconstituídas muito mais depressa do que inicialmente estimado.

A reconstrução das capacidades militares, incluindo a substituição de locais de lançamento de mísseis, lançadores e capacidade de produção de sistemas de armas-chave destruídos durante o conflito atual, significa que o Irão continua a representar uma ameaça significativa para aliados regionais caso o presidente Donald Trump retome a campanha de bombardeamentos, segundo as quatro fontes. Isto também coloca em causa alegações sobre o grau em que os ataques EUA-Israel degradaram as forças militares iranianas a longo prazo.

Embora o tempo necessário para retomar a produção de diferentes componentes de armamento varie, algumas estimativas das secretas dos EUA indicam que o Irão poderá reconstituir totalmente a sua capacidade de ataque com drones em apenas seis meses, referiu à CNN uma das fontes, um responsável norte-americano.

“Os iranianos ultrapassaram todos os prazos que a comunidade de inteligência tinha para a reconstituição”, afirmou o responsável dos EUA.

Os ataques com drones são uma preocupação particular para os aliados regionais. Se as hostilidades forem retomadas, o Irão poderá reforçar a sua capacidade de produção de mísseis - já significativamente degradada - com mais lançamentos de drones, continuando a atingir Israel e países do Golfo que estão ao alcance de ambos os sistemas.

Trump tem ameaçado repetidamente retomar operações militares contra o Irão caso os dois países não cheguem a um acordo para terminar a guerra, tendo mesmo dito publicamente na terça-feira que esteve a uma hora de reiniciar os bombardeamentos, o que significa que estas capacidades militares poderão voltar a ser utilizadas.

O Irão conseguiu reconstruir mais rapidamente do que o esperado devido a uma combinação de fatores, incluindo apoio recebido da Rússia e da China e o facto de os EUA e Israel não terem causado tantos danos como esperavam, afirmou uma das fontes à CNN. Por exemplo, a China continuou a fornecer ao Irão componentes durante o conflito que podem ser usados na construção de mísseis, disseram duas fontes familiarizadas com as avaliações das secretas dos EUA, embora isso tenha provavelmente sido reduzido pelo bloqueio norte-americano em curso.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sublinhou à CBS na semana passada que a China está a fornecer ao Irão “componentes para fabrico de mísseis”, mas recusou-se a dar mais detalhes.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, negou a alegação numa conferência de imprensa, classificando-a como “não baseada em factos”.

Entretanto, o Irão mantém também capacidades de mísseis balísticos, drones e defesa antiaérea, apesar dos danos significativos causados pelos ataques EUA-Israel, segundo avaliações recentes das secretas dos EUA, o que significa que a rápida reconstrução da capacidade de produção militar não parte do zero.

Um porta-voz do Comando Central dos EUA recusou comentar, dizendo que o comando não discute matérias relacionadas com as secretas.

Veículos param sob um cartaz que retrata um drone não tripulado (UAV) de fabrico iraniano, o Shahed-136, ao lado de uma inscrição em persa que diz "Cada míssil é uma mensagem", em Teerão, Irão, a 30 de março. Morteza Nikoubazl/NurPhoto/Getty Images

O porta-voz principal do Pentágono, Sean Parnell, salientou à CNN numa declaração que “as forças militares dos Estados Unidos são as mais poderosas do mundo e têm tudo o que precisam para atuar no momento e local escolhidos pelo Presidente”.

“Realizámos múltiplas operações bem-sucedidas em vários comandos de combate, assegurando ao mesmo tempo que as forças militares dos EUA possuem um vasto arsenal de capacidades para proteger o nosso povo e os nossos interesses”, acrescentou Parnell.

A CNN noticiou em abril que a força dos EUA avaliava que cerca de metade dos lançadores de mísseis do Irão tinham sobrevivido aos ataques norte-americanos. Um relatório recente aumentou esse número para dois terços, parcialmente devido ao cessar-fogo em curso, que deu ao Irão tempo para recuperar lançadores que poderão ter ficado soterrados após ataques anteriores, segundo fontes ligadas às secretas.

A avaliação total dos EUA pode incluir lançadores atualmente inacessíveis, como aqueles enterrados no subsolo por ataques, mas não destruídos.

Ainda existem milhares de drones iranianos - cerca de 50% da capacidade de drones do país - disseram anteriormente duas fontes à CNN.

A mesma força também mostrou que uma grande parte dos mísseis de cruzeiro de defesa costeira do Irão permanece intacta, o que é consistente com o facto de os EUA não terem focado a sua campanha aérea em ativos militares costeiros, embora tenham atingido navios. Esses mísseis são uma capacidade-chave que permite ao Irão ameaçar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

No conjunto, os relatórios recentes dos EUA sugerem de forma geral que a guerra degradou as capacidades militares do Irão, mas não as destruiu, com os iranianos a demonstrar que conseguem limitar o impacto a longo prazo ao reconstituírem rapidamente após os ataques.

Isso inclui a reconstrução da sua base industrial de defesa, que, segundo o comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, foi em grande parte eliminada.

“A Operação Fúria Épica degradou significativamente os mísseis balísticos e drones do Irão, ao mesmo tempo que destruiu 90% da sua base industrial de defesa, garantindo que o Irão não pode reconstituir-se durante anos”, afirmou Cooper numa audiência perante o Comité das Forças Armadas da Câmara dos Representantes.

Mas o testemunho de Cooper está em forte contraste com as avaliações das secretas dos EUA sobre a capacidade do Irão de reconstruir as suas capacidades militares e o prazo necessário para o fazer, com duas fontes a dizer à CNN que a informação não é consistente com as declarações do comandante do CENTCOM.

Uma das fontes disse à CNN que os danos na base industrial de defesa do Irão terão atrasado a sua capacidade de reconstrução por meses, e não anos. E parte dessa base industrial permanece intacta, o que poderá acelerar ainda mais o processo de reconstituição de algumas capacidades, acrescentou a fonte.

A CNN contou com a contribuição de Haley Britzky para este artigo

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