Segundo um responsável norte-americano, a decisão do presidente de atacar o Irão por um segundo dia deveu-se, em parte, ao facto de o Estreito de Ormuz não ter sido totalmente reaberto e, por outro lado, aos ataques iranianos contra navios que atravessavam aquele estreito enquanto participava na cimeira da NATO
Os militares norte-americanos afirmam ter atingido pelo menos 170 alvos no Irão nos últimos dois dias, depois de o presidente Donald Trump ter declarado que o acordo de cessar-fogo “acabou”, deixando mais dúvidas do que respostas sobre o futuro das negociações e do controlo do Estreito de Ormuz.
Eis os mais recentes desenvolvimentos:
• Ataques dos EUA: Os Estados Unidos afirmaram ter atingido cerca de 90 alvos militares na mais recente vaga de ataques contra o Irão, realizada durante a noite de quarta-feira para quinta-feira. Isto acontece depois de as forças norte-americanas terem atingido 80 alvos na noite anterior. A maioria dos ataques visou a costa sul do Irão, embora alguns tenham ocorrido mais para o interior e no norte do país.
• Infraestruturas atingidas: O Irão afirma que os Estados Unidos atacaram uma ponte ferroviária em Aqqala, a nordeste de Teerão, naquele que seria um caso raro de uma infraestrutura estratégica ser visada durante os recentes ataques. Imagens divulgadas pelos meios de comunicação iranianos, geolocalizadas pela CNN, mostram a ponte ferroviária danificada nas proximidades de Aqqala. O ataque a infraestruturas civis críticas, como centrais de água e energia, pode ser considerado um crime de guerra.
• Resposta do Irão: A Guarda Revolucionária iraniana retaliou com ataques a bases norte-americanas no Kuwait e no Bahrein nas últimas duas noites, avisando que alargará os ataques a outras bases dos EUA na região caso Washington volte a retaliar. O principal negociador iraniano deixou um aviso: “Se atacarem, serão atacados.”
• O que disse Trump: Na cimeira da NATO desta semana, Trump classificou a liderança iraniana como “louca” e “escumalha”, sugerindo que esses dirigentes “podem já não estar no poder” após o recomeço das hostilidades. Apesar da troca de ataques, sustentou que não acredita que a guerra com o Irão “vá recomeçar”.
• Frustração de Trump: Segundo um responsável norte-americano, a decisão do presidente de atacar o Irão por um segundo dia deveu-se, em parte, ao facto de o Estreito de Ormuz não ter sido totalmente reaberto e, por outro lado, aos ataques iranianos contra navios que atravessavam aquele estreito enquanto participava na cimeira da NATO. Outro responsável disse à CNN que o cessar-fogo “deixou, pelo menos temporariamente, de existir” e que as forças norte-americanas estão agora numa fase de expectativa.
• Preço do petróleo: O petróleo disparou na quarta-feira, com o Brent, referência internacional, a subir 5,4%, o maior ganho diário desde 29 de abril. O barril ultrapassou os 80 dólares pela primeira vez desde 19 de junho e encerrou nos 78,02 dólares.
Mais de uma dezena de mortos
Já esta quinta-feira, o Ministério da Saúde iraniano fez saber que 14 pessoas morreram e 78 ficaram feridas nos últimos dois dias na sequência dos ataques norte-americanos.
Eis o que aconteceu durante a noite de quarta-feira para quinta-feira:
Chabahar, cidade portuária situada na costa norte do Golfo de Omã, perto da fronteira com o Paquistão, sofreu cortes de energia e explosões. Um hospital foi atingido por destroços e dois cais, bem como uma torre de controlo do tráfego marítimo, também foram alvo dos ataques, segundo os meios de comunicação estatais iranianos.
Em Iranshahr, no sudeste do Irão, um bombeiro morreu num ataque norte-americano ao aeroporto da cidade, que danificou o edifício das operações de voo e a estação meteorológica, de acordo com a imprensa iraniana.
Também foram ouvidas explosões na cidade portuária de Bushehr, noticiaram os meios de comunicação estatais. O embaixador do Irão nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou que os ataques dos EUA atingiram instalações naquela cidade e em ilhas do Golfo Pérsico.
Projéteis atingiram a cidade costeira de Bandar Abbas, segundo a agência semioficial Tasnim. Vídeos geolocalizados pela CNN mostram várias explosões e grandes incêndios nas imediações do porto de Haqani.
Os meios de comunicação iranianos relataram igualmente ataques e explosões na ilha de Abu Musa, no Golfo Pérsico, perto do Estreito de Ormuz, e nas cidades costeiras de Sirik, Jask e Konarak.
Uma ponte ferroviária em Aqqala, cidade situada na província de Golestão, no norte do Irão, também foi atingida no que a televisão estatal IRIB classificou como um ataque norte-americano. Embora o CENTCOM tenha confirmado ataques em vários pontos da costa iraniana, não fez qualquer referência a operações no norte do país.
Na província de Khuzestão, no sudoeste do Irão, três pessoas morreram perto da cidade de Ahvaz, informou a agência semioficial Fars, citando o vice-governador da província. O ataque norte-americano fez ainda vários feridos, acrescentou.
Na quarta-feira, oito membros da Força Aérea e da Marinha iranianas morreram em ataques contra Bandar Abbas e Bushehr, segundo os meios de comunicação estatais.
