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Como o Estreito de Ormuz foi reaberto e novamente fechado em menos de 24 horas

CNN , Tim Lister, Max Saltman
19 abr, 09:43
Navio no Estreito de Ormuz (CNN)

ANÁLISE || Após uma breve esperança de que uma das vias navegáveis mais movimentadas do mundo pudesse reabrir, os Estados Unidos e o Irão parecem concordar em muito pouco além de – talvez – estarem dispostos a reunir-se novamente

Que diferença faz um dia. Ontem, por esta altura, seria compreensível pensar que mais navios começariam a passar pelo Estreito de Ormuz, à medida que o cessar-fogo entre os EUA e o Irão se aproximava do fim.

Na sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, acolheu com grande entusiasmo o anúncio de Teerão de que o Estreito de Ormuz estava “totalmente aberto e pronto para a passagem total. Obrigado!”

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, tinha sugerido no X que o estreito voltaria a estar totalmente aberto, acrescentando que o Irão coordenaria as rotas marítimas. A publicação fez com que o preço do petróleo bruto caísse 10% nums questão de horas, mas teve um efeito negativo, com o meio de comunicação semi-oficial iraniano Tasnim a criticar Araghchi por criar “várias ambiguidades sobre as condições de passagem, os seus detalhes e os seus mecanismos”.

Em seguida, Trump afirmou que o bloqueio norte-americano aos portos iranianos continuaria “em pleno vigor” até que a “transação” com o Irão estivesse concluída.

Mais de 24 horas depois, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou que bloqueou o estreito mais uma vez, invocando o bloqueio norte-americano contínuo aos portos iranianos.

“Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e qualquer embarcação infratora será alvo de ataque”, afirmou o IRGC num comunicado no sábado.

Após uma breve esperança de que uma das vias navegáveis mais movimentadas do mundo pudesse reabrir, os Estados Unidos e o Irão parecem concordar em muito pouco além de – talvez – estarem dispostos a reunir-se novamente.

No sábado, as forças armadas iranianas reiteraram que a passagem de navios comerciais seria rigorosamente restringida enquanto o bloqueio dos EUA se mantivesse. Para reforçar esta posição, dois navios foram alvejados a cerca de 20 milhas da costa de Omã, tendo sido as lanchas de guerra iranianas as responsáveis pelo primeiro ataque, segundo o capitão do petroleiro.

Numa rara declaração atribuída ao Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei afirmou que a “valente Marinha do Irão está pronta para fazer com que os inimigos provem o amargo de novas derrotas”. Khamenei não é visto há seis semanas, desde que foi escolhido para suceder ao seu pai.

Trump insistiu novamente no sábado que as negociações com o Irão estão a correr muito bem, mas que os EUA não vão ceder à chantagem. O poderoso Conselho de Segurança Nacional do Irão afirmou que Teerão estava a analisar “novas propostas” dos EUA, mas ainda não tinha respondido.

Para além da navegação pelo estreito, as duas partes continuam muito distantes quanto à entrega e remoção do urânio altamente enriquecido do Irão e ao programa de enriquecimento em curso.

O cessar-fogo expira dentro de apenas três dias. Trump diz que não sabe se será prorrogado.

“Talvez não o prolongue, pelo que terão um bloqueio e, infelizmente, teremos de voltar a lançar bombas”, afirmou na sexta-feira.

O regime iraniano não parece disposto a chegar a um compromisso. Um oficial militar de alta patente, o general Mohammed Naqdi, afirmou no sábado que, “se a guerra recomeçar, utilizaremos mísseis cuja data de produção é maio de 2026”.

“Podemos parar a produção de petróleo, mas não queríamos causar perturbações ao mundo, por isso agimos com paciência”, afirmou.

Embora fontes iranianas tenham dito à CNN que esperavam que uma segunda ronda de negociações se realizasse na próxima semana, os EUA ainda não confirmaram publicamente os seus planos, à medida que o cessar-fogo se aproxima do seu fim a 21 de abril.

No entanto, há sinais de que as discussões estão a decorrer intensamente nos bastidores. Na tarde de sábado, em Washington, foram vistos altos responsáveis norte-americanos a chegar à Casa Branca, incluindo o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

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