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Ataque do Irão a navio no Estreito de Ormuz trava plano da ONU para retirar embarcações da região

CNN , Mohammed Tawfeeq, Zachary Cohen e Jessie Yeung
26 jun, 12:13
Estreito de Ormuz (Getty)
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Este é o primeiro ataque conhecido desde que Washington e Teerão acordaram, na semana passada, trabalhar para um acordo de paz. O incidente provocou uma subida dos preços mundiais do petróleo e aconteceu numa altura em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tenta convencer os países do Golfo, que continuam céticos em relação ao entendimento alcançado

O Irão atacou, esta quinta-feira, um navio no Estreito de Ormuz, obrigando à suspensão da operação de evacuação de navios retidos na região e demonstrando que continua a ter capacidade para restringir a circulação nesta via marítima estratégica, apesar do acordo alcançado na semana passada com os Estados Unidos.

Um responsável norte-americano disse à CNN que a embarcação foi atingida por um drone iraniano, sem adiantar mais pormenores.

Embora Teerão não tenha reivindicado a autoria do ataque, este ocorreu poucas horas depois de a poderosa Guarda Revolucionária Islâmica ter avisado que os navios só teriam passagem segura através das rotas autorizadas pelo Irão, contrariando a posição da Administração Trump de que o estreito voltou a estar totalmente aberto à navegação.

Este é o primeiro ataque conhecido desde que Washington e Teerão acordaram, na semana passada, trabalhar para um acordo de paz. O incidente provocou uma subida dos preços mundiais do petróleo e aconteceu numa altura em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tenta convencer os países do Golfo, que continuam céticos em relação ao entendimento alcançado. A CNN contactou a Casa Branca para obter um comentário.

Segundo o United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), organismo britânico que acompanha o tráfego marítimo na região, o navio de carga foi atingido no lado de estibordo por um projétil de origem desconhecida, sofrendo danos na ponte de comando. Não foram registados feridos nem impactos ambientais.

As autoridades aconselharam todas as embarcações a navegar com precaução e a comunicar qualquer atividade suspeita.

ONU suspende operação de evacuação

O ataque obrigou a Organização Marítima Internacional (IMO), agência das Nações Unidas, a suspender a missão destinada a retirar da região do Golfo Pérsico centenas de navios e mais de 11.000 marinheiros que permanecem retidos desde o início da guerra.

"Sempre sublinhei que a segurança dos marítimos continua a ser a prioridade", afirma o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, em comunicado. "Para garantir uma abordagem coordenada e a segurança da navegação, o plano de evacuação será suspenso até existir maior clareza sobre a situação."

A missão de evacuação tinha arrancado apenas nos últimos dias, após a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerão.

Dominguez explica que o navio atingido não fazia parte da operação organizada pela IMO, acrescentando que o incidente demonstra a necessidade de garantir que os esforços de evacuação possam prosseguir sem colocar os marítimos em risco.

Esta semana, o movimento de navios no Estreito de Ormuz atingiu o nível mais elevado desde o início da guerra, no final de fevereiro. Dados da MarineTraffic mostram que, na quarta-feira, foram registadas 70 travessias, a maioria através de uma rota junto à costa de Omã.

O Irão considera o controlo desta via marítima um importante instrumento de pressão nas negociações.

Na quinta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica avisou que apenas seriam garantidas condições de segurança aos navios que utilizassem rotas previamente aprovadas por Teerão.

Depois do ataque, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — organismo criado recentemente pelo Irão para gerir o estreito — declarou que já não pode garantir a segurança da navegação.

"As consequências de utilizar rotas não autorizadas serão da responsabilidade do proprietário, operador e comandante da embarcação", escreveu a entidade na rede social X.

Divergências sobre portagens no Estreito de Ormuz

O atual acordo entre Washington e Teerão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de portagens durante 60 dias e já permitiu aos Estados Unidos levantar o bloqueio aos portos iranianos.

No entanto, o memorando de 14 pontos também atribui ao Irão um papel formal na supervisão do tráfego comercial através do estreito, em conjunto com Omã.

Durante o conflito, Teerão começou a cobrar taxas às embarcações que pretendiam atravessar a via marítima, uma prática que a Administração Trump promete impedir num eventual acordo de paz de longo prazo.

"A realidade é que nenhum país tem o direito de cobrar pela utilização de vias marítimas internacionais, e essa nunca será uma condição aceitável em qualquer acordo", afirmou Marco Rubio, durante uma reunião com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países árabes do Golfo, no Bahrein.

Num comunicado conjunto divulgado mais tarde, os ministros afirmam rejeitar "quaisquer portagens, taxas ou tentativas de exercer controlo sobre o Estreito de Ormuz".

Teerão, que contesta que o estreito constitua águas internacionais, já tinha admitido anteriormente a possibilidade de cobrar uma taxa de serviço — e não uma portagem — em conjunto com Omã.

Contudo, Omã esclareceu na quinta-feira que quaisquer futuros acordos relativos ao estreito não contemplam taxas de trânsito para as embarcações, segundo a agência estatal de notícias.

"Pode chamar-lhe portagem, taxa ou o que quiser. É apenas uma questão de semântica", afirmou Rubio.

Petróleo sobe após novo ataque

A assinatura do acordo na semana passada levou os preços mundiais do petróleo para o nível mais baixo desde o início da guerra com o Irão.

O ataque desta quinta-feira fez inverter parcialmente essa tendência. O Brent, referência internacional para o preço do petróleo, encerrou a sessão com uma subida de 2%, nos 74 dólares por barril (cerca de 69 euros), antes de voltar a aliviar nas primeiras horas de sexta-feira.

O memorando pretende pôr fim aos combates, reabrir o Estreito de Ormuz e oferecer alívio económico ao Irão em troca do compromisso de nunca desenvolver armas nucleares.

No entanto, deixa questões fundamentais por resolver, como o futuro do programa nuclear iraniano e das reservas de urânio enriquecido de Teerão, matérias que deverão ser negociadas ao longo de 60 dias.

Segundo Marco Rubio, as negociações técnicas terão início a 30 de junho, ao nível de especialistas, através de grupos de trabalho dedicados a temas como energia nuclear e sanções.

Apesar disso, o processo continua marcado por vários obstáculos, incluindo os confrontos persistentes entre Israel e o Hezbollah, que na semana passada ameaçaram comprometer as conversações entre os Estados Unidos e o Irão.

Rubio tem procurado separar o dossiê Israel-Líbano das negociações com Teerão, embora o Irão insista que ambos estão interligados. O próprio acordo declara o fim dos combates em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Na manhã de sexta-feira, Israel lançou ataques aéreos contra alvos nas proximidades de Nabatieh, no sul do Líbano, segundo a agência estatal libanesa.

A Administração Trump tem manifestado crescente frustração com a campanha militar israelita no Líbano. Marco Rubio, por sua vez, não fará escala em Israel durante a atual visita ao Médio Oriente, uma decisão que alguns analistas interpretam como um sinal de distanciamento em relação ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

*James Frater e Sarah Tamimi contribuíram para este artigo

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