No seu espaço de comentário no Jornal Nacional, o comentador da TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, antecipa ainda que a recuperação deste conflito vai durar anos
Miguel Sousa Tavares considera que Donald Trump “subestimou o Irão” e afirma que a guerra saiu do controlo dos planos do presidente americano e do seu secretário da Defesa, Pete Hegseth.
“Estavam convencidos que a coisa iria ser muito fácil. O velho princípio da diplomacia de Trump – primeiro ameaça, depois consegue – não funcionou (…) Toda a gente já percebeu que Trump subestimou completamente o Irão, subestimou a vontade de resistência do Irão, subestimou o facto de o regime estar encostado à parede e não ter mais nada a fazer se não defender-se”, disse o comentador da TVI na 5.ª Coluna. “Também não imaginaram que o Irão fizesse a coisa óbvia, que é fechar o Estreito de Ormuz. Basta olhar para o mapa.”.
Sousa Tavares antecipa que a recuperação deste conflito vai durar anos.
“Assim, de uma passeata militar de Trump, nasceu uma crise económica que, como dizia Lagarde, não vemos ainda as consequências todas, mesmo que a guerra acabasse imediatamente. O Irão destruiu a refinaria de gás natural liquefeito do Catar [Ras Laffan], que era a maior do mundo. Isto não se refaz de um dia para o outro. São anos para voltar a fazer essa refinaria. Durante anos, o mundo vai ter falta de gás liquefeito pelo menos aos preços que tinha. Isso vai influenciar a situação económica. Com o petróleo, vamos ver.”
Se por um lado os EUA podem já estar a arrepender-se com esta guerra, Benjamin Netanyahu quer que ela continue, considerou o comentador. “Hoje estava a ver Netanyahu todo contente a dizer ‘matámos mais um terrorista’. Quer dizer, o Estado que hoje faz terrorismo em todo o lado e mata gente em todo o lado diz ‘matámos mais um terrorista’. Netanyahu está entusiasmadíssimo com a guerra, não quer que ela acabe até que não haja um míssil iraniano, um silo nuclear iraniano e não haja um guarda revolucionário iraniano. Esse seria o objetivo de Netanyahu.”
Para Sousa Tavares, a forma como Trump encarou os ataques ao Irão faz lembrar a mentalidade russa antes da invasão da Ucrânia, uma vez que o Kremlin acreditava que poderia conquistar Kiev em menos de uma semana.
“Também Putin subestimou completamente a capacidade de resistência dos ucranianos, mas eu acho que, no caso de Trump, é muita ignorância. O Putin poderia ter achado que os ucranianos eram mais fracos do que eram, mas conhecia a Ucrânia. Trump não faz ideia o que é o Irão e resolveu meter-se naquele vespeiro, segundo o subchefe da contra-espionagem americana, empurrado por Netanyahu. Não se sabe se é verdade ou não”, observou o comentador da TVI.