Governo iraniano assinala 47 anos de revolução com milhares de mortos às costas

11 fev, 22:51

Os 47 anos da chamada Revolução Islâmica ficaram ensombrados por semanas de protestos violentos da parte duma população que sobrevive, na sua maioria, numa economia de joelhos

O Governo do Irão assinalou esta quarta-feira os 47 anos da República Islâmica, que começou com a Revolução de 1979, num movimento que derrocou o monarca Mohammad Reza Pahlavi, após anos de um regime opressor, apoiado pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos.

Mas as quase cinco décadas que se seguiram não foram de melhor sorte para a maioria dos iranianos, em particular para as mulheres e para as minorias. A República Islâmica não tolera dissidências, não se esquece do papel do Ocidente na manutenção do Xá e trata qualquer expressão crítica de forma violenta e totalitária.

Os 47 anos da chamada Revolução Islâmica ficaram ensombrados por semanas de protestos violentos da parte duma população que sobrevive, na sua maioria, numa economia de joelhos, fruto das sanções internacionais. Mas os iranianos também pedem liberdade de expressão, eleições livres e o fim do regime teocrático, no qual boa parte da população não se revê.

As manifestações dos últimos meses foram das mais duras desde o início da República Islâmica. De acordo com organismos internacionais, a repressão fez-se sentir com igual força. As imagens, sempre feitas à revelia das autoridades, mostraram centenas de cadáveres em morgues ou hospitais. Para além de ter pedido desculpa pela situação económica, o Presidente Massoud Pezeshkian não se referiu, no discurso oficial desta quarta-feira, na Praça Azedi, em Teerão, à tragédia humana.

Netanyahu frustrado em Washington

Enquanto isso, na capital dos Estados Unidos, o Presidente e o Primeiro-ministro de Israel conversaram sobre o programa nuclear iraniano e sobre a situação na Faixa de Gaza.

Benjamin Netanyahu saiu, no entanto, frustrado de um encontro do qual esperava uma solução mais contundente da parte de Trump em relação ao programa nuclear iraniano e aos passos a dar para prevenir Teerão de continuar com o enriquecimento de Urânio.

Depois do encontro, não houve declarações aos jornalistas nem imagens oficiais, a não ser uma foto com um aperto de mão entre Trump e Netanyahu. Depois disso, o Presidente dos EUA disse, na rede social dele, que, do encontro, tinha ficado a conclusão de que iriam continuar com o Irão pela via diplomática, mas que isso não descartava a hipótese militar. E que o Irão não deveria esquecer-se do que já tinha acontecido, referindo-se ao bombardeamento de junho de 2025.

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