Avaria de elevador dificulta transporte de doentes e adia transplantes no IPO Lisboa

30 jan 2025, 20:00
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Unidade de Transplante de Medula tem um elevador operacional, mas “não permite o transporte de camas” por ser pequeno. IPO Lisboa aguarda relatório da empresa responsável pela manutenção dos elevadores

O IPO Lisboa está a reagendar transplantes de medula óssea devido à avaria de um elevador na Unidade de Transplante de Medula (UTM), o que impossibilita o transporte em macas entre pisos de pacientes já admitidos e afeta também a admissão de novos pacientes. A denúncia é feita por duas mães de crianças cuja admissão e posterior transplante foram reagendados e foi confirmada pela CNN Portugal junto de um profissional desta instituição, que diz que estão a ser “feitos ajustes” nas datas.

Numa resposta enviada por escrito, o IPO Lisboa confirma que o “elevador monta-macas da UTM - Unidade de Transplante de Medula, instalado em 1992, situado no Pavilhão de Rádio, encontra-se inoperacional desde há cerca de uma semana”, estando o início da reparação dependente do relatório da “avaliação do sistema de marcha” por parte da empresa responsável pela manutenção destes aparelhos, mas esse relatório ainda não foi entregue. 

A Unidade de Transplante de Medula (UTM) do IPO Lisboa, criada em 1987, recebe crianças e adultos e tem um outro elevador “de dimensão mais reduzida (capacidade para oito pessoas e 630 quilos de carga) que se encontra totalmente operacional”, porém, admite a instituição, “atendendo à sua dimensão, não permite o transporte de camas”, o que dificulta a passagem dos utentes entre pisos.

O IPO Lisboa garante, no entanto, que “não foram cancelados transplantes a doentes pediátricos”, mas fonte profissional desta unidade admite que foi necessário “fazer alguns ajustes [no calendário dos transplantes], [sendo que] algum [paciente] terá de ser transplantado para a semana”. O próprio IPO Lisboa adianta que “a atividade da UTM está a ser mantida, estando internados [os] doentes que prosseguem os seus transplantes como habitualmente”, mas que “estão a ser organizadas soluções internas alternativas que permitem manter a atividade de transplantação programada noutros serviços, designadamente nos serviços de Pediatria e de Hematologia. Foram ainda contactados os outros centros de transplantação nacionais que vão assegurar no imediato um transplante programado de adulto na próxima semana”. 

Fonte do IPO Lisboa ouvida pela CNN Portugal espera que o elevador seja “rapidamente” consertado, adiantando que o cenário acaba por ser mais complexo nos adultos, cujo transporte dentro da própria unidade é difícil devido à dimensão das camas.

No final do ano passado, utentes, visitantes e profissionais já se tinham queixado de dificuldades de acesso no IPO Lisboa devido à inoperabilidade de oito elevadores. À data, esta unidade hospitalar disse que em causa não estava uma avaria, mas sim trabalhos de substituição, empreitada no valor de 600 mil euros que ainda decorre. No entanto, tal como noticiou a Rádio Renascença, dois elevadores estiveram mesmo fora de serviço durante seis meses.

O IPO Lisboa diz que “espera concluir com a máxima brevidade a empreitada de beneficiação que visou a substituição de um total de oito elevadores do hospital, incluindo quatro elevadores do Pavilhão Central, dos nove existentes neste Pavilhão”. Destes quatro elevadores que estão a ser alvo de substituição, “um já está operacional e um segundo já está pronto e aguarda a emissão de licenciamento pela entidade competente”. Os outros dois elevadores deste edifício, “que servem preferencialmente para visitas, estão em fase final de montagem”. No Pavilhão Central, o IPO Lisboa diz que estão “operacionais seis elevadores”. 

“Ciente dos constrangimentos causados aos utentes e à atividade hospitalar, o Conselho de Administração mantém-se empenhado e a envidar todos os esforços para que esta operação de beneficiação se dê por terminada com a máxima brevidade”, lê-se ainda na resposta enviada à CNN Portugal.

Mães denunciam a situação

Renata Nezello viu ser adiado o transplante do seu filho, de três anos. À CNN Portugal, conta que “faz alguns dias que o elevador que transporta doentes da UTM avariou e não há data de resolução, por isso, [os médicos] não conseguem internar novos doentes, incluindo o meu filho que seria internado amanhã para receber o transplante”, tendo sido a questão do elevador o argumento dado para a mudança de planos.

O filho de Renata, de três anos, “já fez cinco ciclos a mais de quimioterapia”, cada um de cinco dias, por estar “à espera há cinco meses de transplante de medula”, não sabendo agora quando irá acontecer. “Disseram que não há data [para o internamento e, depois, transplante], que iam verificar as possibilidades e aguardar o conserto do elevador, mas não é um conserto tão fácil assim”, lamenta. A solução para o filho da Renata Nezello passa agora por aguardar, tendo, por isso, que seguir com mais um ciclo de quimioterapia, mas isso, alerta a mãe, “atrasa em pelo menos mais um mês” a possibilidade do transplante, pois é preciso “esperar quatro semanas após cada ciclo de terapia até ao transplante, o que pode fazer com que a doença evolua”, conta, apreensiva com a incerteza que esta situação traz, apressando-se a dizer que “até os internados que precisam de cuidados intensivos não podem ser transportados, [pois] não há um elevador onde caiba uma maca”.

Para Renata Nezello, esta situação soma-se aos “problemas normais que o IPO tem de falta de recursos humanos e de quartos que não funcionam na total capacidade, estão a funcionar dez de 12”.

Também Adna Bolea relata dificuldades na Unidade de Transplante de Medula do IPO Lisboa, adiantando que o elevador em causa está avariado há vários dias A sua filha Gabriela, de apenas um ano, está à espera do transplante há seis meses, que ia ser feito em janeiro, mas foi adiado para março, sem que também tenha sido dado um dia em concreto. 

A bebé, que tem uma forma rara de leucemia (leucemia mielomonocítica juvenil), “vai ter de seguir com quimioterapia, sendo que ela já tem doador, já tem idade, o peso que eles precisam” para o transplante. “O que ouvi dos médicos é que não há previsão sequer [para o arranjo do elevador], vão ver uma solução na unidade antiga do IPO, mas esta unidade não tem boas condições, passamos lá um mês e meio e o elevador também está avariado”, conta Adna.

A CNN Portugal apurou que há “mais de 80 pessoas” em espera para transplante, “a maioria adultos”.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

País

Mais País

Mais Lidas