Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais para fazer um novo telemóvel

CNN , Lisa Eadicicco e Hadas Gold
10 jul, 23:46
Apple (AFP/Getty Images)

 

 

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A OpenAI tem recrutado vários talentos de forma agressiva e a Apple pensa que alguns deles levaram segredos da empresa

A Apple processou a OpenAI esta sexta-feira, alegando que a empresa de Inteligência Artificial (IA) roubou segredos comerciais da fabricante do iPhone para desenvolver os seus próprios dispositivos de IA, ainda não apresentados.

No processo, aberto no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, a Apple acusa a OpenAI de apropriação indevida de segredos comerciais e incumprimento contratual.

A OpenAI anunciou no ano passado que estava a trabalhar com o antigo responsável de design da Apple num projeto secreto para construir dispositivos destinados a levar os utilizadores de smartphones à era da IA.

Espera-se que o dispositivo seja apresentado ainda este ano, mas o processo pode atrapalhar estes planos. O processo pode também complicar os planos da OpenAI de abrir em breve o seu capital ao mercado, numa oferta pública gigantesca e muito aguardada.

A CNN contactou a OpenAI para comentar o assunto.

O processo cita a OpenAI; Chang Liu, da OpenAI, ex-engenheiro da Apple; e Tang Tan, responsável de hardware da OpenAI, que anteriormente liderou o design de produtos do iPhone e do Apple Watch. O processo inclui ainda a io Products, empresa fundada por Jony Ive, responsável de design da Apple até 2019, que ajudou a criar o iPhone. O processo não inclui Ive como arguido, nem o acusa de irregularidades. A OpenAI comprou a io no ano passado.

Detalhes confidenciais da Apple alegadamente roubados

Liu e Tan tiveram um papel crucial no roubo, alega a Apple. Liu deixou a Apple para se juntar à OpenAI em janeiro de 2026 e não respondeu às tentativas da Apple de garantir que assinava o memorando de confidencialidade da empresa, agendava uma entrevista de despedimento e confirmava a devolução dos seus dispositivos empresariais, afirmou a Apple no processo. O processo alega ainda que não foi devolvido um computador portátil fornecido pela empresa e que os antigos funcionários tiveram acesso ao computador de trabalho de um ex-colega após deixarem a empresa.

Liu acedeu e descarregou "dezenas de ficheiros confidenciais da Apple relacionados com hardware, incluindo informações volumosas e detalhadas sobre produtos não lançados, apresentações de engenharia, especificações técnicas e dados proprietários de projetos", refere o processo.

A Apple alega que Tan usou informações confidenciais da empresa ao recrutar candidatos, inclusive instruindo-os a trazer peças da Apple durante o processo de entrevista. É ainda alegado que Tan e a OpenAI orientaram os funcionários da Apple sobre como deixar a empresa.

A Apple defende também que Tan informou a OpenAI sobre reuniões importantes com fornecedores da Apple e enviou a si próprio informações sobre esses fornecedores por e-mail antes de deixar o cargo.

A empresa afirma ainda ter encontrado provas de que outros ex-funcionários da Apple levaram consigo informações confidenciais quando abandonaram a empresa para trabalhar na OpenAI.

"Na Apple, as nossas equipas estão constantemente a desenvolver tecnologias inovadoras para criar os melhores produtos e serviços do mundo, e a proteção do seu trabalho e propriedade intelectual é algo que levamos muito a sério", afirmou a Apple em comunicado.

No processo, a Apple afirma ter contactado a OpenAI para expressar as suas preocupações quando a investigação estava na sua fase inicial, mas que nunca recebeu resposta.

Corrida pelo futuro da computação

O processo representa também uma rutura na relação entre as duas empresas, que em 2024 anunciaram uma parceria para começar a integrar o ChatGPT nos produtos da Apple. Em maio, a Bloomberg noticiou que a OpenAI estava a considerar avançar com uma ação judicial contra a Apple, alegando uma possível quebra de contrato devido à alegada falta de integração e promoção adequadas dos produtos da OpenAI nos seus dispositivos.

A OpenAI tem recrutado agressivamente talentos de liderança e engenharia, tanto atuais como antigos, da Apple, principalmente para construir uma divisão dedicada ao hardware.

De acordo com uma contagem de perfis do LinkedIn feita pela CNN, a OpenAI contratou recentemente pelo menos dez engenheiros que vieram diretamente da Apple.

O processo judicial destaca a acesa rivalidade entre gigantes tecnológicos para dominar a era da IA. A OpenAI fez mudanças drásticas na sua estratégia de produto, visando colocar o ChatGPT no centro da vida digital dos consumidores. E a Apple está prestes a lançar a sua tão aguardada versão reformulada da Siri ainda este ano, que poderá funcionar em várias aplicações e personalizar as respostas consultando os dados do iPhone do utilizador.

A OpenAI não divulgou muitas informações públicas sobre o seu projeto de hardware secreto. O site The Information noticiou que a OpenAI está a trabalhar num altifalante inteligente, enquanto o The Wall Street Journal informou que o dispositivo da OpenAI terá consciência do ambiente que rodeia o utilizador.

A inteligência artificial está a remodelar a forma como as pessoas interagem com a tecnologia, e este tipo de iniciativas de hardware fazem parte de um esforço das empresas tecnológicas para se manterem na vanguarda destas mudanças. As gigantes tecnológicas acreditam, em grande parte, que, à medida que os agentes de IA se tornam mais capazes de lidar com tarefas quotidianas, os consumidores podem não precisar de utilizar aplicações ou interagir com ecrãs com tanta frequência.

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