O desporto é um dos maiores motores de coesão e de mobilidade social do nosso país. Está presente nas escolas, nas comunidades locais, nos clubes de formação e nas vidas de milhares de famílias que, todos os dias, fazem um esforço para que os seus filhos possam treinar, competir e crescer com valores de disciplina, superação e respeito. Mas, apesar dessa importância, o desporto continua a viver com recursos limitados e com um enquadramento fiscal que não o valoriza como merece.
A verdade é que o investimento no desporto ainda é, muitas vezes, visto como um gesto de mecenato ocasional. Uma revisão do regime do mecenato desportivo, que equipare o desporto à cultura, seria um passo essencial para mudar essa perceção, incentivando privados a investir neste setor. Além de permitir atrair mais investimento, iria garantir estabilidade às federações e clubes e dar condições dignas aos atletas e treinadores que representam Portugal.
Importa ainda rever o próprio conceito de donativo, cuja fronteira com o patrocínio é, muitas vezes, demasiado ténue. Uma clarificação mais justa e moderna destes conceitos permitiria estimular o investimento privado no desporto, tornando mais claras as regras e reforçando a confiança de quem quer apoiar o setor.
Mas o desafio não é apenas empresarial. As famílias também carregam grande parte do esforço, suportando custos com treinos, deslocações e equipamentos. A possibilidade de deduzir as despesas desportivas como despesas de saúde no IRS seria um reconhecimento justo de que investir no desporto é, em simultâneo, investir na saúde, na educação e no futuro dos nossos jovens.
Foi, por isso, que vi com satisfação as medidas que a Confederação do Desporto de Portugal e as federações desportivas apresentaram para o setor. Ao longo da minha vida pessoal e profissional, tenho testemunhado de perto a resiliência de quem trabalha no desporto – muitas vezes com parcos recursos, mas com um entusiasmo e uma criatividade notáveis. Foi essa realidade que me convenceu de que o setor precisa de um novo impulso, mais estruturado e sustentável.
E é isso que o setor empresarial tem procurado fazer, embora com poucos incentivos. Não apenas porque acreditamos no desporto, mas porque reconhecemos nele uma força transformadora, capaz de inspirar confiança, proximidade e espírito de comunidade. É também isso que queremos continuar a promover: uma cultura de responsabilidade partilhada, onde o Estado, as empresas e os cidadãos caminhem lado a lado na valorização do desporto português. Esperamos que o Orçamento do Estado para 2026 consiga ajudar a trilhar este caminho.