Portugal voltou a ser tema nos relatórios internacionais sobre investimento direto estrangeiro (IDE). O EY Attractiveness Survey Portugal 2025, bem como o The FDI Report 2025 (do Financial Times) mostram que o país continua a atrair capital, mas também que os riscos de estagnação são reais se não forem tomadas medidas urgentes por parte do governo e das instituições estatais.
Entre sinais de força e fragilidade, o relatório da EY confirma que Portugal se manteve no top 10 europeu, mas caiu duas posições. O número total de projetos recuou 11% em 2024. Ainda assim, registou-se uma subida nos novos investimentos, sinal de que o país continua a ser visto como destino interessante em áreas como renováveis, farmacêutica e serviços digitais.
Já o Financial Times mostra uma fotografia diferente: Portugal subiu no ranking global, captando 186 novos projetos e crescendo 4,5%, orgulhosamente, melhor do que Reino Unido, Países Baixos ou Polónia. O estudo aponta três fatores centrais para este desempenho: estabilidade macroeconómica, boas infraestruturas logísticas e digitais, e políticas públicas amigas da inovação e da sustentabilidade.
As oportunidades estão à vista, e as duas análises estão alinhadas quanto às áreas estratégicas: (i) Reindustrialização sustentável, com destaque para renováveis, tecnologias e farmacêutica; (ii) Transição energética, onde Portugal já é referência, mas precisa de resultados mais ambiciosos; (iii) Inovação digital e inteligência artificial, setores em que o país pode assumir-se como hub europeu, desde que invista em competências e infraestrutura; (iv) Diversificação regional, com o Centro e o Alentejo a ganharem importância no mapa do IDE.
No entanto, existem obstáculos ao aumento da competitividade. Apesar dos avanços, a EY alerta para uma queda na confiança: só 60% dos executivos planeiam expandir operações em Portugal em 2025, contra 84% no ano anterior. Os motivos são claros: (i) Instabilidade política; (ii) Fiscalidade complexa, desadequada e mal direcionada; e (iii) Falta de talento especializado.
Não surpreende que 36% dos investidores apontem a reforma fiscal como a prioridade absoluta para reforçar a competitividade. Sem previsibilidade, adequabilidade e simplicidade, Portugal arrisca-se a perder o lugar que conquistou.
Entre a narrativa e a execução há um hiato. O retrato do Financial Times reforça que Portugal é competitivo face a pares europeus. Mas a análise da EY lembra que a perceção dos investidores instalados é mais cautelosa. O verdadeiro desafio está na execução de políticas consistentes que transformem potencial em resultados.
A mensagem é simples: menos discurso, mais execução. Só com estabilidade fiscal, reformas regulatórias e aposta firme em energia renovável, talento e inovação é que Portugal poderá consolidar-se como economia de futuro.