BBC descobre uma centena de institucionalizados há 20 anos contra a vontade das famílias

24 nov, 19:36
Hospício
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Estação inglesa descobriu dezenas de casos quando investigava uma situação concreta. Trata-se de pessoas com autismo e outras deficiências cognitivas

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Cem pessoas com deficiências cognitivas e autismo foram mantidas em sanatórios durante, pelo menos, 20 anos, em Inglaterra, contra a vontade das famílias.

Os casos foram descobertos pela BBC, durante uma investigação a uma situação concreta, de uma pessoa que estava numa instituição daquelas desde 2001.

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Atualmente, há cerca de 2.000 pessoas internadas nestas condições no país, quando passam seis anos de uma promessa do governo de construir “casas e não hospitais”, promessa que surgiu com o lançamento do programa Cuidados Transformadores.

O governo britânico prometeu reduzir o número de institucionalizados em 35% até março de 2020, prevendo um regresso à comunidade com programas adaptados a cada caso.

Mas à altura da promessa, apenas 300 pessoas saíram, o que corresponde a 13% de um total que era superior a 2.300. Entretanto, a meta apontada de reduzir esse número em 35% foi adiada para 2023 ou 2024.

De resto, se 100 pessoas estiveram internadas durante 20 anos, foram 350 as que estiveram na mesma situação durante uma década, anos esses em que foram impedidos de contactar com as famílias de forma diária.

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Juíza revelou caso, alegando interesse público

Um dos casos é o de Tony Hickmott, que tem autismo e foi institucionalizado numa unidade de saúde em 2001. Hoje, a família ainda luta para que o homem, agora com 44 anos, possa ser integrado na sociedade no próximo ano, num processo que está em curso no Tribunal de Proteção, que julga casos relacionados com o bem-estar social e económico de pessoas com “falta de capacidade mental”.

Sobre Tony Hickmott, a juíza Carolyn Hilder, que está a acompanhar o caso, fala em vários atrasos na tentativa de encontrar uma forma de reintegrar o britânico na comunidade. Foi precisamente a magistrada que revelou o caso publicamente, alegando interesse público.

O homem vive atualmente numa Unidade de Tratamento e Acompanhamento, uma instituição onde é previsto que a estadia seja curta e que fica a mais de duas horas de distância da família.

Carolyn Hilder acredita que Tony Hickmott está “detido há demasiado tempo”, o que muito se deve a uma “falta de recursos”.

A luta de uma família

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A luta da família dura desde a institucionalização. Em 2001, conta Roy Hickmott, pai do utente, disseram-lhe que a estadia seria de apenas nove meses. Passado esse período seria encontrado um “local indicado na zona de Brighton”.

Mas não foi isso que aconteceu, e só em 2013 é que Tony foi dado como “apto para alta”. Oito anos depois continua à espera que lhe encontrem um local para onde ir e no qual possa receber os cuidados necessários.

Se ele tivesse matado alguém já estaria cá fora. Ele perdeu a família, perdeu a sua casa”, afirma a mãe, Pam Hickmott, em entrevista à BBC, onde destaca que há muitas outras famílias na mesma situação.

Na Unidade de Tratamento e Acompanhamento todos os custos são pagos pelo serviço nacional de saúde britânico (NHS na sigla original), custos esses que passariam para as autoridades locais caso o homem fosse transferido para perto da família.

A mãe de Tony não tem dúvidas, é a questão do dinheiro que está a atrasar a transferência: “Já dissemos aos juízes para se despacharem, mas eles não fazem nada, continuam a lutar por dinheiro.”

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Carolyn Hilder já pediu às pessoas responsáveis pelos cuidados de Tony Hickmott que arranjem uma forma de o transferir para Brighton até maio, mas as autoridades da cidade inglesa defendem-se com um caso “extremamente complexo”.

O caso do Tony é extremamente complexo. Tentámos por várias vezes encontrar uma solução sustentável perto de Brighton, mas sem sucesso”, afirma o Conselho de Brighton and Hove, que assegura que continua a trabalhar com o Serviço Nacional de Saúde para chegar a uma solução.

 

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