Emir do Dubai "hackeou" o telemóvel da ex-mulher

6 out, 18:22
O sheikh Mohammed Al Maktoum com a mulher, a princesa Haya da Jordânia, em 2012
O sheikh Mohammed Al Maktoum com a mulher, a princesa Haya da Jordânia, em 2012

Supremo Tribunal britânico considera que houve "abuso do poder" do sheikh Mohammed Al Maktoum. A princesa Haya da Jordânia fugiu para Inglaterra em 2019 e está envolvida numa longa batalha pela custódia dos filhos

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O Supremo Tribunal da Inglaterra deu como provado que o emir do Dubai, o sheikh Mohammed bin Rashid al-Maktoum, deu ordem para vigiar informaticamente os telefones da sua ex-mulher, a princesa Haya da Jordânia, e dos seus advogados, como parte de uma "campanha contínua de intimidação e ameaça" durante a luta pela custódia dos filhos.

O juiz Andrew McFarlane, presidente da Divisão de Família do Supremo Tribunal, Mohammed usou o sofisticado software "Pegasus", desenvolvido pela empresa israelita NSO e usado por vários estados para se defenderem de eventuais ameaças à segurança nacional, para "hackear" os telefones da princesa Haya bint al-Hussein, meia-irmã do rei Abdullah da Jordânia, e de algumas pessoas próximas dela: dois dos seus advogados, o seu assistente pessoal e dois membros da sua equipa de seguranç.

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Os funcionários do sheikh também tentaram comprar uma mansão ao lado da propriedade de Haya, perto da capital britânica, o que foi considerado pelo tribunal uma ação intimidatória uma vez que a fez sentir-se insegura e como se "não conseguisse respirar".

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Parece que estou a ser perseguida, que literalmente não há nenhum lugar para onde ir e ficar a salvo [do pai] ou daqueles que agem em defesa dos interesses dele. É extremamente opressor", disse a princesa.

Mohammed, 72, e Haya, 47, estão envolvidos numa longa (e cara) batalha pela custódia desde que, em 2019, ela fugiu para o Reino Unido com os filhos, Jalila, de 13 anos, e Zayed, de 9. Haya alegou temer pela sua segurança depois de terem surgido suspeitas de que teve um caso com um dos seus guarda-costas britânicos.

Os acórdãos, que foram publicados esta quarta-feira à tarde, referem-se ao "hacking" como "violações do direito penal interno (do Reino Unido)" e "abuso de poder" por parte de um chefe de governo.

O tribunal concluiu que a vigilância foi realizada "por empregados ou agentes do pai (Sheikh Mohammed), do Emirado de Dubai ou [Emirados Árabes Unidos] e que a vigilância ocorreu com a autoridade expressa ou implícita do pai".

O sheikh negou as acusações de "hacking" e os seus advogados argumentaram que os culpados poderão ser outros países do Oriente Médio.

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Entre os alvos do "hacking" estava a advogada de Haya, Fiona Shackleton, membro da Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha que representou o herdeiro britânico ao trono, o príncipe Carlos no divórcio de Diana.

O tribunal concluiu que o telefone de Haya foi "hackeado" 11 vezes em julho e agosto do ano passado com a "autoridade expressa ou implícita" do sheikh Mohammed. Numa das vezes foram carregados 265 megabytes de dados, o equivalente a cerca de 24 horas de dados de gravação de voz digital ou 500 fotografias. A vigilância ocorreu durante um período descrito pelo McFarlane como "um momento particularmente agitado e financeiramente importante, com muitas audiências importantes relacionadas com as reivindicações financeiras da mãe para si mesma e para os filhos".

O alarme foi dado em agosto do ano passado, quando Cheri Blair, esposa do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, avisou Shackleton que ela e Haya estavam a ser vigiadas. Chair Blair trabalha como consultora do Grupo NSO em questões relacionadas com negócios e direitos humanos.

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As alegações contra o governante de Dubai foram apoiadas pelo depoimento de um especialista em tecnologia, William Marczak, da Califórnia, que é investigador do Citizen Lab da Universidade de Toronto, que disse ao tribunal que não tinha dúvidas de que os telefones foram "hackeados" usando o software Pegasus da NSO. Também concluiu "com grande confiança" que os telefones foram hackeados por uma única operadora.

 

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