«Gostava de ser uma mosca para ouvir o que um jogador diz quando não joga e vai para casa»

7 mar 2025, 11:35
Carlo Ancelotti (KARIM JAAFAR/AFP via Getty Images)

Carlo Ancelotti abriu o jogo sobre a carreira e revelou episódios que o marcaram durante o percurso

Carlo Ancelotti, destacou a complexidade da gestão de balneário, admitindo que já teve desentendimentos com jogadores.

«Gostaria de ser uma mosca para escutar o que diz um jogador quando não joga e volta para casa. Muitos jogadores tiveram problemas comigo, mas no final resolveu-se tudo. Havia um jogador que, quando eu falava no balneário, punha uma toalha na cara para não me ouvir. Foi no início da sua carreira. Um dia disse-lhe: “Não podemos continuar assim”. Há jogadores que, quando os deixas no banco, custa-lhes cumprimentar-te de manhã. Aí, confundem a pessoa com o jogador», revelou o técnico italiano do Real Madrid em entrevista ao ator Giacomo Poretti no podcast PoretCast.

Já lá vai o tempo em que o italiano de 65 anos se estreava como treinador (1993), e para o próprio o futebol moderno «complicou» a vida aos treinadores.

«Agora é muito mais complicado do que antes. Antes, tinha apenas um papel onde colocava: barreira defensiva, quem batia cantos, quem batia penáltis, quem ia cabecear, as marcações nas bolas paradas defensivas... e era tudo. Agora há clips que mostram a posição dos jogadores nos lances de bola parada, tanto na defesa como no ataque. Se tirarmos um jogador e entrar outro, temos de dizer: “Olha, tens de ocupar esta posição”», explicou, elogiando a capacidade do Real Madrid de se adaptar aos tempos, mantendo a identidade: « O Real Madrid foi capaz de se adaptar ao futebol moderno. Não existe um proprietário como noutros clubes. Os donos são os sócios. A tradição é transmitida de geração em geração. Santiago Bernabéu compreendeu-o bem e agora Florentino Pérez. Não há ninguém acima do clube.»

Sobre o futuro, Ancelotti, tem contrato até 2026 e foi claro: «Não vou decidir quando termina a minha aventura no Real Madrid. Isso cabe ao presidente [Florentino Pérez].»

O treinador «merengue» defendeu ainda Kylian Mbappé, depois do jogador francês ter sido alvo de duras críticas, e também Vinícius Júnior e Nico Williams (Athletic Bilbao), que sofreram de ataques de racismo. 

«Mbappé não chegou a este nível por treinar desde o primeiro dia da sua vida, mas sim porque a Mãe Natureza lhe deu um talento especial. Ele soube geri-lo com compromisso e sacrifício e os jovens devem utilizar o desporto para aprender, é uma escola da vida», elogiou.

«Vinícius sofre muitos ataques racistas, mas não é o único. Também já aconteceu a Nico Williams e há que dar muitos passos à frente. Que eles sejam bons jogadores pode ser uma desculpa para os atacar, mas isso não pode acontecer», acrescentou.

Por fim, Ancelotti revelou porque, à semelhança do português Jorge Jesus masca pastilha elástica durante os jogos: «Masco pastilha elástica para aliviar o stress durante os jogos. Alguns criticam-me por isso, mas quando começa o jogo, as minhas pulsações estão a 120 e agora, por exemplo, estão a 63. Talvez a pastilha me ajude», brincou.

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