«Mundial no Qatar? Direitos humanos devem ter um papel mais importante»

8 ago, 13:51
Philipp Lahm

Philipp Lahm anuncia que não vai viajar para assistir à prova no final de 2022 e lembra também a «sustentabilidade» e «o tamanho do país». «Prefiro acompanhar o torneio a partir de casa», aponta

O antigo futebolista Philipp Lahm, embaixador da federação alemã (DFB) para o Euro 2024 a realizar na Alemanha e capitão da seleção campeã do mundo em 2014, anunciou que não vai viajar ao Qatar para acompanhar o Mundial 2022, aludindo a motivos humanos e políticos para o efeito.

«Não faço parte da delegação e não estou interessado em viajar para lá como adepto. Prefiro acompanhar o torneio a partir de casa», começou por dizer, em declarações à revista germânica Kicker, publicadas no domingo.

«Se eu tivesse funções ou uma agenda no Qatar, como diretor do Euro, é claro que seria diferente», referiu, de seguida, o antigo lateral-esquerdo, frequentemente crítico face à organização e realização do Mundial 2022 no Qatar.

«Os direitos humanos devem ter um papel mais importante na atribuição de um torneio. Se um país recebe a indicação de um dos piores desempenhos nesse requisito, começas a pensar nos critérios utilizados para a decisão. Os direitos humanos, a sustentabilidade, o tamanho do país… nada disso parece ter tido um papel», alertou Lahm.

A Amnistia Internacional denunciou, num relatório sobre a situação dos direitos laborais dos trabalhadores estrangeiros no Qatar, a existência de vários abusos, como multas por idas à casa de banho ou 12 horas de trabalho por dia. Em maio, e por seu turno, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, elogiou os avanços na matéria dos direitos humanos no Qatar, depois de a Human Rights Watch ter acusado a FIFA de insultar trabalhadores migrantes.

Numa investigação do jornal The Guardian, em fevereiro de 2021, foi revelado que mais de 6.500 trabalhadores migrantes da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Qatar, desde que o país alcançou a vitória para a organização da prova, há cerca de 11 anos. Infantino, por seu turno, negou estes números recentemente.

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