Português vai orientar a seleção africana no Mundial 2026
O português Carlos Queiroz, apresentado esta quinta-feira, em Acra, como selecionador de futebol do Gana, afirmou ter neste «o maior desafio da carreira» de mais de 40 anos e depois de ter orientado oito seleções A e de ter passado por alguns clubes, como treinador principal e também adjunto.
«É o maior desafio da minha carreira e estou preparado. Trago 40 anos de experiência para cada decisão que vai ser tomada. Acredito que com o apoio do meu staff, da federação, dos adeptos e do país, com coesão e ambição, podemos trazer sucesso», disse, em conferência de imprensa.
Queiroz, que vai marcar presença num Mundial pela quinta vez, mostrou confiança nos desafios que se seguem no Gana, apesar de o Mundial 2026 estar a menos de dois meses de distância.
«Estamos a correr contra o tempo, mas com a experiência do staff e especialmente com os nossos jogadores, estou muito confiante que vamos conseguir. Com muito trabalho será possível alcançar o que queremos. Estamos a trabalhar, a implementar um programa de preparação para os nossos jogadores. Olhando o talento, estou confiante a acredito que teremos uma grande equipa no relvado. Se jogarmos como equipa, podemos bater qualquer adversário», disse Queiroz, que pelo Gana tem como adversários, no grupo L do Mundial 2026, Inglaterra, Croácia e Panamá.
Aos 73 anos, Queiroz fala neste como «um desafio de vida». «Jogar pelo Gana será uma honra e a responsabilidade é enorme, por toda a paixão que aqui vemos. E é o maior desafio porque é próximo. O que passou, passou. O que vem é ganhar o próximo jogo, e o próximo, e o próximo. Sei que no Gana não se espera outra coisa que não ganhar. Por isso, este é o maior desafio», justificou, lembrando as palavras de Nelson Mandela, quando orientou a África do Sul. «Mandela disse-me um dia: Carlos, nunca perdemos, ou ganhamos ou aprendemos. Por isso, não tenho medo de nada».
Sobre a convocatória, disse que «ninguém é dono da camisola da seleção». «Vamos organizar, ver e analisar os jogadores locais. O meu trabalho é fazer que, quem mereça, esteja na seleção. Teremos sempre uma janela aberta», respondeu Queiroz, que antes da conferência de imprensa com a comunicação social foi apresentado ao Ministro do Desporto e Recreação, Kofi Adams, em Acra, acompanhado por uma comitiva que contou com o presidente da federação de futebol do país (GFA), Kurt Edwin Simon-Okraku.
Carlos Queiroz já orientou Portugal num Mundial (2010) e Irão em três (2014, 2018 e 2022). Com a sua quinta fase final, iguala Bora Milutinovic, ficando apenas atrás das seis de Carlos Alberto Parreira. Antes do Gana, treinou Portugal, Irão, Qatar, Omã, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Colômbia e Egito. A nível de clubes, foi adjunto de Alex Ferguson no Manchester United e orientou o Sporting, New York/New Jersey MetroStars (atual New York Red Bulls, dos Estados Unidos), o Nagoya Grampus (Japão) e o Real Madrid (Espanha). Por Portugal, mas à frente da seleção sub-20, conquistou dois mundiais.
