Procuradora espanhola insiste em prisão para o antigo presidente da RFEF
O Ministério Público (MP) de Espanha pediu, esta quinta-feira, em apresentação de recurso contra Luis Rubiales, a repetição do julgamento do ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, insistindo na pena de prisão por agressão sexual à futebolista Jenni Hermoso.
Para o MP, «a imposição de uma pena de multa, e desta multa [ndr: 10.800 euros]», constitui «uma ofensa para a vítima e para as vítimas de agressões sexuais».
«Sem dúvida, um mau precedente», escreveu a procuradora Marta Durántez, no recurso da sentença que condenou Luis Rubiales por agressão sexual pelo beijo dado sem consentimento a Jenni Hermoso, a 20 de agosto de 2023, em Sydney, na Austrália, nas celebrações da vitória da seleção espanhola no Mundial, após o triunfo na final ante a Inglaterra (1-0).
Ainda segundo o MP, a pena de prisão por agressão sexual justifica-se por Rubiales ter imobilizado a cabeça de Jenni Hermoso com as duas mãos antes de a beijar, como está escrito na própria sentença, numa situação «intimidatória de facto» à qual não se pode aplicar o «tipo atenuado do delito de agressão sexual» previsto no Código Penal espanhol.
Quanto ao delito de coerção, de que Rubiales foi absolvido, o MP recorreu também da sentença e voltou a pedir a condenação e que seja aplicada pena de um ano e meio de prisão por este crime. Pediu ainda que sejam condenadas por coerção as outras três pessoas que foram acusadas do mesmo crime e que acabaram absolvidas: o ex-diretor da seleção masculina de Espanha Albert Luque, o então selecionador Jorge Vilda e o antigo diretor de marketing da federação Ruben Rivera. Todos foram acusados de pressões sobre Hermoso nos dias seguintes ao beijo, para que fizesse declarações públicas a desvalorizar o ocorrido.
Além de pedir a revisão das sentenças, no recurso apresentado, a procuradora Marta Durántez contestou a atuação do juiz José Manuel Fernández-Prieto, que presidiu ao julgamento, pedindo mesmo que se declare nulo e seja repetido. O MP considera que o juiz não foi imparcial.
Este recurso do Ministério Público junta-se a outros dois já anunciados por Jenni Hermoso e pelo próprio Rubiales, que mantém que o beijo foi consentindo, contrariando a versão da futebolista e a sentença da primeira instância.