Crystal Palace critica desclassificação da Liga Europa: «Mérito perde sentido»

12 ago 2025, 16:23
Crystal Palace conquista a Supertaça inglesa (Dave Shopland/AP)

Clube inglês denuncia que foi «praticamente impossível ter tido um julgamento justo»

Relegado administrativamente à Liga Conferência, pela violação da regra de multipropriedade da UEFA, o Crystal Palace arrasa a decisão, confirmada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), considerando mesmo que foi «praticamente impossível ter tido um julgamento justo».

A conquista da mais recente edição da Taça de Inglaterra garantia ao Crystal Palace uma vaga na Liga Europa, esta época. No entanto, ela foi-lhe negada pela UEFA, que alegou não estar salvaguardado o critério de multipropriedade de clubes.

Tudo porque, até há pouco tempo, o emblema inglês tinha como um dos principais acionistas a Eagle Football, de John Textor, que também controla o Lyon, outro dos apurados para a Liga Europa. Como, em comparação com os britânicos, a equipa francesa alcançou uma melhor classificação no seu campeonato, ficou com a vaga, tendo o Palace sido relegado para a Liga Conferência.

Entretanto, Textor vendeu a sua participação no clube a Robert Wood Johnson, mas nem isso fez com que a decisão da UEFA em excluir o Crystal Palace da Liga Europa, que teve o respaldo do TAD, fosse revertida.

Em comunicado, o emblema londrino considera que o castigo «demonstra que o mérito desportivo perde todo o sentido» e critica a forma como o julgamento foi conduzido.

«A negação de todos os pedidos de divulgação para obter correspondência entre as partes relevantes, a recusa em permitir depoimentos de testemunhas e a generalizada falta de formalidade e respeito à lei demonstram que as decisões não podem ser contestadas adequadamente, o que conduz a resultados pré-determinados», explicam os responsáveis do Crystal Palace.

O clube vai mais longe nas críticas, ao defender que «certos clubes, organizações e indivíduos têm privilégios e poderes únicos», uma vez que, no seu entender, «existem clubes que parecem ter importantes acordos informais entre si e podem participar, e até mesmo jogar uns contra os outros», na mesma competição.

«Estruturas multiclubes escudam-se na farsa de uma “confiança cega”, enquanto clubes como o nosso, que não têm qualquer ligação com outro clube, são impedidos de jogar na mesma competição», reforça o Crystal Palace, que pede à UEFA para «aprovar regras coerentes e que sejam devidamente comunicadas e aplicadas, com prazos razoáveis para resolver incertezas e sanções, tratando todos os clubes de forma igual com um processo de recurso adequado».

Garantindo que não irá deixar cair o caso, o Crystal Palace, que no último fim de semana conquistou a Supertaça inglesa, prepara-se para participar na Liga Conferência «com a mesma determinação e vontade de vencer que carateriza o clube».

A vaga do Crystal Palace na Liga Europa é ocupada pelo Nottingham Forest, de Nuno Espírito Santo, que foi sétimo classificado na Premier League, em 2024/2025.

Relacionados