Clube inglês denuncia que foi «praticamente impossível ter tido um julgamento justo»
Relegado administrativamente à Liga Conferência, pela violação da regra de multipropriedade da UEFA, o Crystal Palace arrasa a decisão, confirmada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), considerando mesmo que foi «praticamente impossível ter tido um julgamento justo».
A conquista da mais recente edição da Taça de Inglaterra garantia ao Crystal Palace uma vaga na Liga Europa, esta época. No entanto, ela foi-lhe negada pela UEFA, que alegou não estar salvaguardado o critério de multipropriedade de clubes.
Tudo porque, até há pouco tempo, o emblema inglês tinha como um dos principais acionistas a Eagle Football, de John Textor, que também controla o Lyon, outro dos apurados para a Liga Europa. Como, em comparação com os britânicos, a equipa francesa alcançou uma melhor classificação no seu campeonato, ficou com a vaga, tendo o Palace sido relegado para a Liga Conferência.
Entretanto, Textor vendeu a sua participação no clube a Robert Wood Johnson, mas nem isso fez com que a decisão da UEFA em excluir o Crystal Palace da Liga Europa, que teve o respaldo do TAD, fosse revertida.
Em comunicado, o emblema londrino considera que o castigo «demonstra que o mérito desportivo perde todo o sentido» e critica a forma como o julgamento foi conduzido.
At a time when we should be celebrating our victory in the Community Shield at Wembley, the decision by UEFA and followed by the Court of Arbitration for Sport shows that sporting merit is rendered meaningless.
— Crystal Palace F.C. (@CPFC) August 12, 2025
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«A negação de todos os pedidos de divulgação para obter correspondência entre as partes relevantes, a recusa em permitir depoimentos de testemunhas e a generalizada falta de formalidade e respeito à lei demonstram que as decisões não podem ser contestadas adequadamente, o que conduz a resultados pré-determinados», explicam os responsáveis do Crystal Palace.
O clube vai mais longe nas críticas, ao defender que «certos clubes, organizações e indivíduos têm privilégios e poderes únicos», uma vez que, no seu entender, «existem clubes que parecem ter importantes acordos informais entre si e podem participar, e até mesmo jogar uns contra os outros», na mesma competição.
«Estruturas multiclubes escudam-se na farsa de uma “confiança cega”, enquanto clubes como o nosso, que não têm qualquer ligação com outro clube, são impedidos de jogar na mesma competição», reforça o Crystal Palace, que pede à UEFA para «aprovar regras coerentes e que sejam devidamente comunicadas e aplicadas, com prazos razoáveis para resolver incertezas e sanções, tratando todos os clubes de forma igual com um processo de recurso adequado».
Garantindo que não irá deixar cair o caso, o Crystal Palace, que no último fim de semana conquistou a Supertaça inglesa, prepara-se para participar na Liga Conferência «com a mesma determinação e vontade de vencer que carateriza o clube».
A vaga do Crystal Palace na Liga Europa é ocupada pelo Nottingham Forest, de Nuno Espírito Santo, que foi sétimo classificado na Premier League, em 2024/2025.