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Champions: Atlético de Madrid-Arsenal, 1-1 (crónica)

29 abr, 22:06
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Aparição de Gyökeres antes da romaria pelo «Cholismo»

Os caçadores de mitos têm-se dedicado a desfazer ideias pré-concebidas que a realidade acaba por desmentir, mas há fenómenos que teimam em viver por si. O Cholismo de Diego Simeone no Atlético de Madrid é um deles, e já lá vão 15 anos de tentativas frustradas para sequer o explicar, quanto mais refutar.

Frente ao Arsenal, na primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões, esse espírito da ordem do sobrenatural voltou a encher o campo numa segunda parte demolidora. É certo que falhou (por pouco) a reviravolta no marcador (1-1), mas chegou para deixar tudo em aberto para a segunda mão.

Tudo no Cholismo tem uma razão de ser. É que se nem um Metropolitano lotado e em total delírio conseguiu embalar os Colchoneros para uma primeira parte impositiva, isso deveu-se ao facto de o Atlético de Simeone ter uma filosofia muito própria para discutir eliminatórias até ao limite, e ela não engloba “amassar” adversários em quem perceciona qualidades superiores.

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Sem bola, os espanhóis encurtavam tanto as linhas que momentos houve em que defendiam com os 11 jogadores em 20 metros, posicionados à frente da sua área, à espera de um erro que potenciasse um contra-ataque para Julián Álvarez, Griezmann e companhia poderem aproveitar.

Esses momentos surgiram, o mais perigoso dos quais aos 14 minutos quando Álvarez obrigou David Raya à única defesa em toda a primeira parte. Uma boa defesa, note-se.

Só que, do outro lado, estava um Arsenal pragmático e inteligente na forma como foi gerindo as operações. Mais pressionantes, mas sem se desequilibrarem atrás, os londrinos tiveram um certo ascendente territorial na primeira parte, que fechou com um penálti convertido por Viktor Gyökeres. Antes, Piero Hincapié (6m), Martin Odegaard (15m) e Noni Madueke (30m) tinham ameaçado a baliza defendida por Jan Oblak, mas sem a pontaria desejada.

E tudo o intervalo mudou

Em desvantagem, o Atlético de Simeone puxou pelo instinto de sobrevivência e foi à luta. E que resposta deu!

A segunda parte abriu com um livre perigoso de Julián Álvarez e uma dupla oportunidade para os Colchoneros, aos 52 minutos, desperdiçada por Lookman e Griezmann. Ou melhor, negada por Raya e Gabriel Magalhães, é mais justo colocar a coisa desta forma.

Daí até ao golo do empate passaram apenas mais três minutos, apontado por Julián Álvarez na conversão de um penálti a castigar uma mão na bola de Ben White na área inglesa, descoberta pelo VAR.

A reviravolta do Atleti bateu no poste aos 63 minutos, num grande remate de Griezmann, e nas mãos de Raya, 10 minutos depois, numa tentativa de Lookman no coração da área dos londrinos. O sufoco era constante.

Inebriado pelo domínio imposto, o Atlético de Madrid deu tudo pela reviravolta, mas acabou com o credo na boca. Primeiro num penálti revertido com a ajuda do VAR, aos 77 minutos (o árbitro viu no monitor que Hancko não pisou Eze na área Colchonera), e depois num remate do recém-entrado Mosquera, travado por Oblak (86m).

O 1-1 deixa tudo em aberto para o jogo da segunda mão, no dia 5 de maio em Londres, onde o Arsenal já goleou, esta época, o Atlético de Madrid (4-0), para a fase liga da Champions. Só que agora vai estar em jogo a presença na final da prova. E aí convém não menosprezar o Cholismo, que quer repetir os feitos de 2014 e 2016.

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