«Bebi álcool e consumi droga durante 25 anos, estou surpreendido por estar vivo»

22 mar, 15:47
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Billy Kenny era considerado uma das maiores promessas do futebol inglês, chegou a ser comparado a Paul Gascoigne, mas os vícios destruíram-lhe a carreira. Aos 21 anos, já se tinha retirado

Billy Kenny era considerado um dos maiores talentos do futebol inglês no final do século XX. Produto das escolas do Everton, o médio recebeu a alcunha de «Goodison Gazza», chegou a ser internacional sub-21 por Inglaterra e jogou 19 jogos pela equipa principal dos toffees.

No entanto, a carreira de Kenny acabou com apenas 21 anos, reduzida a passagens por Everton, Oldham Athletic el Barrow. O motivo do fim prematuro do percurso futebolistico deveu-se às lesões e ao consumo de drogas e álcool. 

«Nunca bebi uma cerveja até chegar à primeira equipa do Everton. Era um espécie de regra... senti que tinha me de encaixar na equipa porque era uma criança. Foi então que bebi álcool e consumi cocaína durante 25 anos, sem parar. Foi mesmo sem parar. Estou surpreendido por ainda estar vivo. Todos os dias levantava-me, consumia, tinha dois dias de bebedeira, três dias de bebedeira, dois dias de sono, comia comida chinesa e voltava ao mesmo», contou, em entrevista ao Liverpool Echo.

As 49 anos, Billy Kenny é um homem cheio de arrependimentos. «O pior foi ter envolvido o meu pai e a minha mãe em tudo isto. Estava completamente fora de mim. Quando penso no que fiz os meus pais passarem... Fui egoísta como o c******* . Só queria álcool e drogas. O meu pai adorava futebol, mas houve um momento em que não podia sair de casa. Esse é o maior arrependimento e não desaparece», assumiu.

Apesar do passado ainda estar bem presente, o ex-futebolista deixou de consumir drogas e álcool. A morte da mãe mudou-o completamente e resgatou-o do lugar sombrio onde estava. 

«Só pode ter sido a minha mãe a dar-me força. Jamais seria capaz sozinho. Nao consigo dizer, aqui sentado, como fui capaz. Tenho os meus dias maus, nos quais tenho de trabalhar arduamente para me manter sóbrio. Mas neste momento a vida é incrível. Estar sóbrio é ótimo. Sei onde errei quando era mais jovem. Na altura precisava de ajuda, mas essa ajuda nunca apareceu», disse.

Em jeito de balanço, Billy Kenny aponta o que ninguém lhe pode retirar: o facto de ter jogado pelo Everton.

«Perder a minha mãe foi mais duro do que perder o meu emprego. Jogar futebol era uma diversão e depois tornou-se sério e transformou-se num emprego. No final do dia, perdi o meu emprego e [a droga e o álcool] dominaram a minha vida por 25 anos. Fui a Luz do Everton nos anos 90 e sofri por isso nos anos seguintes. Quando a minha mãe morreu, coloquei tudo em perspetiva. Disse ao meu pai que o iria fazer sentir orgulho de mim. Neste momento ele está orgulhoso de mim. Joguei pelo Everton e ninguém me poderá tirar isso», concluiu.

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