«Não tinha a habilidade de Ronaldo e Rivaldo, carregava o piano»

André Cruz , Porto Palácio Hotel, Porto
22 set, 23:09
Rivaldo, Ronaldo e Gilberto Silva após a conquista do Mundial 2002 (Photo by Gunnar Berning/Bongarts/Getty Images)

Gilberto Silva recordou conquista do Mundial 2002

Desde a ausência de Romário por decisão de Luiz Felipe Scolari até à gestão dos egos dos craques da equipa, a conquista do Mundial de 2002 pelo Brasil teve muito para contar. Gilberto Silva, que integrou o conjunto da 'canarinha' que ergueu a taça no Japão, foi um dos convidados da 5.ª edição do World Scouting Congress e explicou o ambiente que se vivia no grupo, além do papel que desempenhava.

«Destaco a mentalidade, aquilo que se falava, como se treinava. Quem esteve em 1998 em França e perdeu [3-0 na final, diante dos franceses]... Ouvi o Roberto Carlos e o Rivaldo a dizerem: ‘não quero chorar de novo’. Eu era um estreante e estava com os meus ídolos, pensava: ‘tenho de correr por estes tipos, vou pegar na bola e dar-lhes’. Tens de perceber qual o teu papel na equipa. Não tinha a habilidade do Ronaldo ou do Ronaldinho. Carregava o piano e carregar o piano não é simples, tens de o saber carregar e não deixar cair», brincou.

O antigo médio do Arsenal destacou ainda o trabalho de Scolari. «Era o 'paizão', puxava a orelha quando tinha de puxar e abraçava quando tinha de abraçar.»

«Um dia, num treino, chateou-se com o Ronaldo. Ele estava na barreira depois do treino, com o Roberto Carlos a bater uma falta. O Roberto Carlos chutava um bocado forte e o Ronaldo virava-se de costas (risos). Diz o Felipão: ‘se fosse outro jogador, mas tu, com esse corpo?'», contou.

«Tinha uma maneira de conduzir o grupo… tinha várias estrelas. Com um grupo tão qualificado, o treinador tem o papel de não ensinar de mais. Tem de fazer entender ao grupo qual é o propósito, neste caso o Mundial.»

Gilberto Silva assumiu ainda que Ronaldo e Rivaldo tentavam gerir o protagonismo. «Existia uma competição e um egoísmo positivo: o Ronaldo era o melhor do mundo, o Rivaldo tinha sido. Respeitavam-se, mas cada um queria assumir protagonismo. Mesmo o Ronaldinho assumia. O Rivaldo, na minha opinião, foi o nosso melhor jogador, era mais low profile, mais tímido, não fala muito.»

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