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O dono é o mesmo, mas o Botafogo exige reembolso milionário ao Lyon

5 ago 2025, 12:35
John Textor (Foto: AP Photo/Kin Cheung, File)
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Clubes pertencem ao mesmo grupo empresarial, a Eagle Football, da qual John Textor é proprietário

A SAD [denominada SAF no Brasil] do Botafogo, que tem o investidor norte-americano John Textor, através da Eagle Football, como acionista maioritário, vai exigir o «reembolso de valores anteriormente emprestados» ao Lyon, clube francês que pertence ao mesmo grupo empresarial, para resolver o «desequilíbrio financeiro entre as entidades».

A gestão dos clubes que integram o grupo Eagle Football foi sendo feita, nos últimos anos, de forma complexa e registou alguns episódios insólitos.

Em janeiro deste ano, por exemplo, Luiz Henrique trocou o Botafogo pelo Zenit, mas os mais de 30 milhões de euros gerados pela transferência acabaram no Lyon, a contas com uma difícil situação financeira, que quase levou à sua despromoção administrativa à II Liga francesa.

Entretanto, John Textor deixou a gestão do Lyon e viu os seus associados na Eagle Football processarem a SAD do emblema brasileiro, na sequência da transferência de todos os ativos do clube para uma empresa que o empresário norte-americano registou nas Ilhas Caimão. «Se não se impuserem freios, Textor continuará a causar danos irreparáveis à Eagle e ao Botafogo», considera a Eagle Football.

O investidor norte-americano já ripostou, garantindo que «o Botafogo financia a parte europeia [da Eagle Football], e não o contrário». Textor disse mesmo que pretende «separar o Botafogo da parte europeia» da empresa.

De acordo com a imprensa brasileira, o Botafogo exige, agora, ser reembolsado, pelo Lyon, em mais de 65 milhões de euros pela cedência dos passes dos futebolistas Igor Jesus, Jair e Savarino, feita antes do Mundial do Clubes, quando Textor ainda controlava os dois clubes, com o intuito de ajudar a solucionar os graves problemas financeiros do emblema francês.

Tudo foi feito, como era habitual naquela altura, numa ótica de cash pooling, «em benefício de todos os clubes que compõem o grupo». No entanto, «medidas adotadas por órgãos reguladores em França comprometeram o funcionamento dessa integração», pode ler-se na nota publicada pela SAD do Botafogo, que decidiu «formalizar, por vias legais, o atual desequilíbrio financeiro entre as entidades».

Caso os reembolsos falhem, o Botafogo pretende que seja viabilizada «a entrada de novos aportes de capital no clube», garantindo ainda assim que não existe, «no presente momento, qualquer plano que vise a diluição da participação acionária do sócio maioritário», ou seja, a Eagle Football.

O Botafogo salienta ainda que «qualquer eventual negociação envolvendo a venda da participação maioritária na sociedade, seja ela conduzida por John Textor ou por terceiros, deverá necessariamente passar por um processo de diálogo e negociação amigável com o atual sócio maioritário».

De recordar que, neste verão, a Eagle Football decidiu vender a participação que detinha no Crystal Palace com o intuito de viabilizar a participar do clube inglês na próxima edição da Liga Europa, vetada pela UEFA por ter considerado que foi violada a regra da multipropriedade de clubes. Tudo porque o Lyon também se apurou para a prova. O caso continua a ser dirimido entre o Palace e a UEFA.

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