Liga Europa: Nottingham Forest-FC Porto, 2-0 (crónica)

23 out 2025, 22:01

Invencibilidade do «Dragão» não passa no teste da terra maldita

A primeira derrota do FC Porto da temporada foi um duplo castigo para os Dragões, que voltaram a não conseguir vencer em Inglaterra. Foi-o pelo respeito a mais tido pelo adversário, ao condicionarem a sua ideia de jogo em detrimento da do rival, e pelos erros infantis que acompanharam uma exibição errática em que voltaram a demonstrar dificuldades em desmontar um adversário bem organizado.

O City Ground, em Nottingham, recebeu dois bicampeões europeus, ainda que apenas o FC Porto tenha conseguido manter a relevância na elite europeia até hoje, ao contrário do Forest, que chegou a penar nos escalões inferiores de Inglaterra antes de, em 2022, regressar à Premier League, 23 anos depois.

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A Liga Europa foi o palco do primeiro duelo oficial entre ambos, que tinha como ponto de interesse extra a estreia do treinador Sean Dyche nos ingleses, o terceiro timoneiro da época, que ainda vai em outubro.

Curiosamente, a grande surpresa em termos estratégicos até veio do outro lado. Antecipando a importância que o físico iria ter no jogo, Francesco Farioli não tentou contrariá-lo, preferindo jogar com esse dado. Por isso, optou pela maior robustez de Pablo Rosario em detrimento do virtuosismo de Gabri Veiga, procurando assim nivelar as forças a meio-campo.

Até por isso, o rumo que a primeira parte tomou não surpreendeu por aí além. Muitas bolas longas no lado inglês, a procurar a profundidade nas alas para, depois, atacar a área portista, e o FC Porto com dificuldades em acompanhar o ritmo.

Entre os minutos 17 e 18, Hudson-Odoi deixou dois avisos sérios ao FC Porto, mas o golo do Forest acabaria por surgir logo a seguir num lance fortuito. Numa bola dividida na área portista entre Bednarek e Igor Jesus, o defesa polaco jogou-a com a mão, originando um penálti que foi convertido por Gibbs-White.

Sem grandes ideias para contrariar a boa organização do adversário, o FC Porto lá tentou pegar no jogo, travando as transições perigosas dos ingleses, mas faltavam-lhe soluções para criar dano no ataque. O único remate perigoso em toda a primeira surgiu aos 38 minutos, quando Alan Varela obrigou Matz Sels a uma defesa apertada. Perto do intervalo, foi Rosario a falhar o desvio perto da baliza adversária. Tudo espremido, deu muito pouco.

Se o FC Porto queria jogar o jogo do Forest, tinha pelo menos de o igualar na intensidade, e foi isso que procurou fazer no segundo tempo. Com isso, passou a ganhar mais segundas bolas, mais duelos, deixando o adversário mais desconfortável.

A estratégia podia ter ganhado mais força se o golo de Bednarek, aos 54 minutos, não tivesse sido anulado por um fora de jogo milimétrico de Samu a meio de um lance confuso na área inglesa.

Farioli não demorou a mexer – fê-lo logo a triplicar – e o FC Porto manteve a postura mais destemida, mesmo que isso pudesse abrir brechas lá atrás. O que aconteceu aos 69 minutos, quando uma imprudência de Froholdt – tentou bater rápido um livre e ficou sem a bola – originou um contra-ataque que isolou Hudson-Odoi. Valeu, aí, a atenção de Bednarek, que intercetou o remate do avançado inglês.

Só que, à medida que os minutos iam passando, essa energia foi-se perdendo, bem como a convicção na decisão dos lances. O Forest cresceu no jogo, voltou a inundar a área adversária com bolas aéreas, mas só de penálti voltaria a marcar, num lance em que, inicialmente, Savona até viu o amarelo por simulação. O árbitro foi ver as imagens, encontrou uma falta de Martim Fernandes, e Igor Jesus bateu Diogo Costa, fechando o encontro.

Figura: Elliot Anderson (Nottingham Forest)

Com uma disponibilidade física impressionante, o internacional inglês encheu o meio-campo do Forest. A sua capacidade de passe e visão de jogo livraram os britânicos de maiores problemas nos momentos com bola, tendo ainda somado algumas aproximações perigosas à baliza portista. Esteve bem acompanhado por Douglas Luiz na zona cerebral do jogo dos ingleses.

Momento: golo anulado a Bednarek (54m)

Depois de uma primeira parte pouco entusiasmante, o FC Porto veio do balneário com outro espírito, que o 1-1 certamente reforçaria. E até chegou a festejá-lo, aos 54 minutos, num lance confuso bem finalizado por Bednarek, mas Samu estava em fora de jogo num momento anterior. Foram meros centímetros que travaram a resposta do Dragão.

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