Feminino: Portugal acumula erros e acaba goleado pelo Brasil

2 dez 2025, 21:43

O desconforto ainda não é a praia das «Navegadoras»

À terceira não foi de vez para a seleção feminina portuguesa nos duelos com o Brasil. Praticamente dez anos depois do último duelo entre os dois países, a Canarinha, sétima classificada no ranking FIFA, voltou a demonstrar estar num patamar superior ao de Portugal (23.º), como o 5-0 final o demonstra. Foi mesmo uma questão de nível, mas também de experiência e de capacidade, ou a falta dela, para contornar as dificuldades.

Dizia Francisco Neto, na antevisão ao encontro, que «as equipas de mais alto nível são aquelas que conseguem estar mais vezes confortáveis no desconforto». Pelo que se viu no jogo com o Brasil, a Seleção portuguesa ainda está a alguma distância de fazer parte desse lote de equipas.

RECORDE O FILME DO JOGO

O selecionador nacional aproveitou o teste com a Canarinha para ensaiar uma defesa a cinco, mas as jogadoras brasileiras rapidamente perceberam onde estava a fragilidade dessa estratégia: o espaço entre as centrais dos lados e as alas, que jogavam na constante incerteza sobre se deviam subir no terreno ou preocuparem-se com as dobras às companheiras de setor.

Foi assim que o Brasil chegou ao 3-0 ainda antes do intervalo. Sempre pela direita, as avançadas Canarinhas tornaram a noite de Diana Gomes num autêntico pesadelo. Aos 2 minutos, Dudinha fugiu à central portuguesa e assistiu a veterana Gabi Zanotti, de 40 anos, que cabeceou sem oposição no coração da área.

Aos 17 minutos, o filme repetiu-se, agora com Ludmila no papel principal, que aproveitou uma leitura errada da guarda-redes portuguesa, que não cobriu o poste mais próximo, para fazer o 2-0. A avançada brasileira voltaria a destacar-se 20 minutos depois, quando assistiu Dudinha para o terceiro.

O desconforto das Navegadoras também se sentia nos momentos em que ensaiavam os ataques, sobretudo pela postura das adversárias, que faziam marcação individual em todo o campo e eram bastante agressivas na tentativa de recuperar rapidamente a bola.

Ao intervalo, Francisco Neto trocou de lado as centrais Diana Gomes e Carolina Correia, lançou Ana Capeta para o ataque, mas a dinâmica do jogo não se alterou.

O Brasil continuou a carregar sobre as alas, pese embora o notório recuo da linha defensiva portuguesa, e ainda chegou ao 4-0 à entrada do último quarto de hora, pela recém-entrada Isabela, na sequência de um canto.

Pouco antes, Ana Capeta também ficou perto de marcar, chegando um tudo-nada atrasada a um cruzamento de Andreia Jacinto. Foi ao minuto 68, na primeira ocasião flagrante criada pelas Navegadoras. Isso diz quase tudo sobre a exibição da Seleção nacional.

Em cima do minuto 90, o Brasil fechou as contas do jogo num penálti convertido por Bia Zaneratto, que celebrou “à Ronaldo” no Municipal de Aveiro.

Portugal fecha o último período de testes com duas derrotas, frente aos Países Baixos (2-1) e ao Brasil (5-0). Quando regressar à ação, em março do próximo ano, será para começar a lutar pelo apuramento para o Mundial 2027. As dificuldades estão identificadas. Resta trabalhar sobre elas e, ao mesmo tempo, conseguir exaltar o talento inato das Navegadoras. Será esse o exame decisivo.

Relacionados

Brasil

Mais Brasil

Mais Lidas