EUA: líder religioso acusado de abusos sexuais de raparigas, "sob pena de condenação eterna"

19 nov, 08:30
Apollo Quiboloy
Apollo Quiboloy

Os fundos recolhidos para uma falsa caridade foram utilizados para trazer as vítimas para os Estados Unidos para trabalharem

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O líder de um grupo religioso filipino foi acusado de levar "raparigas e jovens mulheres" para os Estados Unidos e de as forçar a manter relações sexuais com ele "sob pena de condenação eterna".

Apollo Quiboloy, fundador do chamado culto "Reino de Jesus Cristo" (KOJC), é acusado juntamente com dois homens de exploração sexual de mulheres entre os 12 e os 25 anos, empregadas como assistentes pessoais, de acordo com a acusação do departamento de Justiça norte-americano, divulgada na quinta-feira.

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Os fundos recolhidos para uma falsa caridade foram utilizados para trazer as vítimas para os Estados Unidos para trabalharem para o culto KOJC.

Quiboloy, de 71 anos, a quem os membros da KOJC chamam "o filho escolhido de Deus", é considerado próximo e conselheiro espiritual do Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte. O culto está baseado em Davao, bastião do chefe de Estado filipino.

As vítimas preparavam as refeições de Apollo Quiboloy, limpavam as residências, massajavam-no e tinham de fazer sexo com ele", ao qual chamavam "serviço noturno", acrescentou o Departamento de Justiça, numa acusação que visa nove arguidos, três dos quais foram detidos nos EUA, na quinta-feira.

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Apollo Quiboloy e outros funcionários da KOJC forçaram as mulheres a realizar este "serviço noturno" sob ameaça de "abuso físico e verbal e condenação eterna".

O sistema, estabelecido em 2002, parece ter durado pelo menos até 2018.

As vítimas cumpridoras foram recompensadas com "boas refeições, quartos de hotel luxuosos, viagens a locais turísticos e pagamentos anuais em dinheiro baseados no desempenho", tudo financiado com fundos recolhidos por funcionários da KOJC nos EUA.

Apollo Quiboloy possuía grandes residências no Havai, em Las Vegas e num subúrbio de Los Angeles. O departamento de Estado norte-americano indicou acreditar que Quiboloy esteja em Davao, juntamente com dois outros arguidos.

A seita reclama cerca de seis milhões de membros em 200 países desde a fundação em 1985, de acordo com o seu website.

O porta-voz do Presidente filipino Karlo Nograles escusou-se a comentar a alegada "relação pessoal" de Duterte com Quiboloy.

Nograles disse não ter sido informado de qualquer pedido de extradição dos Estados Unidos, mas assegurou que as Filipinas "cooperariam se houvesse um contra alguém".

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Contactado pela agência de notícias France-Presse, o escritório de advogados de Quiboloy nas Filipinas não estava disponível para comentar o caso.

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