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Médico garante em tribunal estar inocente na morte de Maradona

17 abr, 00:30
Adeptos à porta do tribunal onde decorre o julgamento sobre a morte de Maradona (EPA/ADAN GONZALEZ)

Leopoldo Luque, ouvido pela primeira vez no processo, defende tese de morte natural

O médico pessoal de Diego Maradona garantiu em tribunal, esta quinta-feira, estar inocente no processo que julga a morte do antigo internacional argentino, em 2020.

«Estou inocente e lamento profundamente a sua morte», assegurou o neurocirurgião Leopoldo Luque, ouvido no tribunal de San Isidro, onde estão a ser julgados os sete elementos da equipa médica acusada (médico, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros), dez meses depois de um primeiro julgamento ter sido interrompido. Esta é a primeira vez que Leopoldo Luque é ouvido no processo.

Os sete profissionais de saúde estão a ser acusados de homicídio com dolo eventual, isto é, de terem cometido atos negligentes sabendo que poderiam levar à morte. Este tipo de crime pode ser punido com oito a 25 anos de prisão.

Todos negam responsabilidade na morte de Maradona, escudando-se essencialmente no seu papel específico e remetendo mesmo a responsabilidade para os outros.

Luque falou cerca de 30 minutos e defendeu, a exemplo de outros acusados, a tese de morte natural de Maradona, que faleceu com 60 anos, de crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar, quando estava em convalescença após neurocirurgia sem complicações a um hematoma na cabeça.

«O diagnóstico revelado na autopsia foi de insuficiência cardíaca crónica com cardiomiopatia dilatada, que descompensou e se agravou por falta de tratamento», afirmou Luque, citando os peritos. Insuficiência cardíaca «associada a substâncias tóxicas», frisou.

Luque foi apontado por várias testemunhas, no primeiro processo, como um dos principais decisores no grupo ligado a Maradona. O médico recordou que não foi ele a operar o antigo futebolista ao hematoma na cabeça e que não era seu médico em 2007, quando «deixou de receber tratamento cardíaco».

Luque também se distanciou da hospitalização a domicílio, decisão tomada pela equipa médica e família. «Sobre isso, disse explicitamente que sou neurocirurgião, não médico clínico, psiquiatra ou psicólogo.»

Este processo, com duas audiências previstas por semana, deverá prolongar-se por três semanas.

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