Diretor clínico relata que o antigo futebolista argentino tinha um «comportamento autodestrutivo» e desaconselhou a recuperação em casa
O diretor clínico do estabelecimento no qual Maradona esteve internado antes de morrer disse em tribunal que o antigo futebolista argentino tinha um comportamento autodestrutivo e não estava a cumprir com a medicação. Pablo Dimitroff contou ainda que desaconselhou o tratamento em casa.
«O seu comportamento era autodestrutivo. Ele não se alimentava corretamente, tomava coisas que não lhe faziam bem, não saía da cama, ficava acordado à noite e dormia durante o dia e não tomava a sua medicação», afirmou o médico.
Maradona foi operado a um hematoma subdural na cabeça na clínica e lá permaneceu internado até 11 de novembro de 2020, quando foi transferido para uma residência particular nos arredores de Buenos Aires, onde morreu duas semanas depois, com 60 anos.
«Sentimos que a casa não era o lugar apropriado para continuar o tratamento que tinha iniciado na Clínica Olivos com a drenagem do hematoma», acrescentou Dimitroff.
O médico apontou que «a única solução adequada para garantir que o paciente pudesse ter uma boa recuperação» seria transferir Maradona para um local que cuidasse da sua reabilitação motora, problemas de dependência e sintomas de abstinência.
Dimitroff informou os médicos de Maradona, Leopoldo Luque e Agustina Cosachov, dois dos acusados no caso, que o antigo futebolista «era um paciente complicado». Por esse motivo, entendia que fazê-lo regressar a casa não era a melhor solução.
O médico revelou que a família e o corpo médico encararam isso «como uma preocupação», pois estes entendiam que era complicado «gerir a situação em casa».
O julgamento da morte de Maradona começou a 11 de março e deverá durar até julho. Sete profissionais de saúde são acusados de homicídio simples com dolo na morte do astro argentino, crimes com pena entre os oito até 25 anos de prisão.