Treinador do Real Madrid garantiu que não sabia que estava a cometer um crime, mas assumiu que, pelos vistos, não estava tudo bem
A ser julgado por do fraude fiscal, Carlo Ancelotti garantiu em trribunal que nunca pensou que poderia estar a cometer um crime e falou inclusive de José Mourinho.
«Quando o clube o propôs, encaminhei o Real Madrid para o meu assessor. Não analisei a proposta, porque nunca tinha sido pago dessa forma. (...) Todos os jogadores o fazem, [José] Mourinho também», declarou o treinador de 65 anos durante o julgamento no Tribunal Superior de Justiça (TSJ) de Madrid.
Mourinho, que orientou os merengues entre 2010/11 e 2012/13, também respondeu perante a justiça espanhola em 2019, tendo sido condenado a um ano de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de quase dois milhões de euros de multa, por dois crimes de fraude fiscal, após acordo com a autoridade tributária.
Ancelotti, que cumpre a segunda passagem pelos merengues, sucedeu a José Mourinho em 2013/14. A acusação remonta ao período entre essa época e a seguinte. O treinador italiano é acusado de não ter declarado rendimentos ao Fisco espanhol rendimentos superiores a 1 milhão de euros relativos a direitos de imagem.
O Ministério Público pede quatro anos e nove meses de prisão para o Carlo Ancelotti, que regressou em 2021.
«Só me preocupei em receber o salário negociado, de seis milhões líquidos, e nunca percebi que algo não estava correto. Nunca recebi qualquer informação de que estava a ser investigado pelo Ministério Público. Mas, se estou aqui, é porque não estava tudo bem, observou.
Ancelotti explicou que a proposta para receber uma parte do salário sob a forma de direitos de imagem partiu do Real Madrid, afirmando desconhecer as motivações dos dirigentes do clube: «Talvez existisse alguma vantagem fiscal, não sei, estava apenas interessado em receber o valor líquido que acordei», declarou ainda.