Treinador português em lágrimas com passagem à final da Libertadores, fala da renovação de contrato e revela «saudades de casa»
O português Abel Ferreira foi um dos protagonistas na vitória do Palmeiras frente à LDU Quito, por 4-0, na segunda mão da meia-final da Libertadores. No final da partida, o técnico ficou em lágrimas ao falar da família e das saudades da filha.
«É um sentimento de alívio, quero agradecer às pessoas que estão comigo! Queria abraçar a minha filha que não está agora comigo, está em Portugal», começou por dizer, antes de ficar emocionado.
«A família pra mim é base de tudo. Eu chorei e estou a chorar agora, mas não gosto de mostrar minha parte fraca. Mas é isso mesmo, é um alívio. Isso que eu tenho para vos dizer, é um alívio».
Sobre o jogo, o técnico de 46 anos explicou como motivou a equipa depois da pesada derrota na primeira mão (3-0)e revelou um desentendimento com Raphael Veiga, herói no jogo da madrugada desta sexta-feira.
«Jogámos muito mal no Equador e fui um dos responsáveis, o plano de jogo não correu bem e não consegui ajudar a minha equipa. O Raphael Veiga (herói na segunda mão) foi um dos que sofreu na primeira mão, porque o substituí. Passou dois ou três dias chateado comigo», partilhou.
«Magia para mim é acreditar sem ver. Aconteça o que acontecer, dá o teu melhor, prepara-te para uma montanha russa de emoções, mas se não acontecer vais continuar na mesma. Isso não é algo que se encontra em lado nenhum. Tinha de arranjar algo que acreditassem que fosse possível. Não tem nada a ver com coisas empíricas. É fazer acreditar que é possível e o que está acima disso tudo, que é o trabalho. Foi uma noite mágica porque estivemos concentrados, focados, inspirados e porque tivemos oportunidades claras para fazer golo», disse ainda.
Na sequência, e questionado sobre a renovação - acaba contrato no final de 2026 - o treinador não deu uma resposta concreta e voltou a confessar alguma tristeza com os comportamentos dos adeptos.
«Não preciso de assinar um contrato, a Leila sabe o que eu quero. Eu fiquei muito magoado com aquilo que ouvi de uma parte dos adeptos, não estava à espera. Por isso, digo à Leila: não vale assinar, porque não vou continuar se não houver condições de assinar. Já me ligaram clubes de todos os lados», partilhou.
«É duro estar no Brasil. Não pelo clube, mas porque vocês, jornalistas, são duros, alguns passam do ponto, e às vezes eu questiono-me se é isso que quero. Olhando para o clube e estrutura, o Palmeiras para mim é um oásis. Não sei se vamos ganhar títulos ou não, mas a Leila sabe o que quero e os jogadores sabem que gosto de os treinar. Já cá estou há cinco anos, pensei que seriam cinco meses. Mas eu gosto de estar aqui», finalizou.