Abel: «Estamos a discutir títulos e a ficar sem jogadores para amigáveis. Não existe...»

7 nov, 10:51
Abel no Palmeiras-Santos (Alexandre Schneider/Getty Images)

Treinador do Palmeiras aborda perda de atletas para as seleções e pede reflexão. Vitor Roque (Brasil) e Flaco López (Argentina) já são baixas, mas pode haver mais cinco

Depois da vitória por 2-0 ante o Santos, o treinador do Palmeiras, o português Abel Ferreira, considerou a vitória justa, embora tenha admitido que nem tudo correu bem na primeira parte. De olho na reta final da época, Abel também abordou o facto de perder jogadores para jogos particulares de seleção a meio deste mês, que serão baixas pelo menos para novo jogo ante o Santos, de acerto de calendário (13.ª jornada, 16 novembro, 00h00). Vitor Roque (Brasil) e Flaco López (Argentina) são já baixas certas, mas pode haver mais, como Joaquín Piquerez, Facundo Torres e Emiliano Martínez (Uruguai) ou Gustavo Gómez e Ramón Sosa (Paraguai). Garantiu ainda que o Palmeiras não é clube de pedir que os jogadores sejam libertados das seleções para ficar no clube.

Análise à vitória:

«A primeira e a segunda parte foram semelhantes. A diferença é que, na segunda parte, conseguimos ser eficazes. Na primeira parte tivemos duas situações de transição do adversário em que fizemos más abordagens e podia ter-nos saído caro. Pecámos no momento que não conseguimos finalizar e demos transições ao adversário. Ao intervalo, disse aos jogadores que tínhamos de manter o ritmo, a toada, fiz correções de posicionamento e acho que a equipa esteve bem, os que iniciaram e entraram. Vitória inteiramente justa.»

No contexto do plano para a reta final da época, com novo jogo ante o Santos sem jogadores nas seleções e o jogo com o Grémio na semana da final da Libertadores, que importância tem a vantagem de três pontos para o Flamengo e ter mais duas vitórias (primeiro critério de desempate em caso de igualdade pontual):

«Esta vitória só faz sentido porque ganhámos ao Juventude, conseguimos um empate em casa com o Cruzeiro num momento difícil… Não consigo atribuir mais importância a estes três pontos do que aos três pontos contra o Juventude. Não penso assim. Penso que este campeonato é extremamente competitivo, penso que ainda vamos perder pontos até ao fim. Como disse, e bem, há uma série de circunstâncias que são anormais. Não devia existir.»

«Como o senhor Ancelotti disse e muito bem, a prioridade é a seleção, sem dúvida. Como eu o entendo… Mas não me parece justo nem correto, numa altura destas, estarmos a discutir títulos e ficar sem jogadores para as seleções fazerem jogos amigáveis. Há aqui qualquer coisa que não está bem. Isto não existe em lado nenhum, desculpem dizer-vos isto. Há muita coisa a fazer, a mudar, decisões difíceis que têm de ser feitas, porque isto não pode acontecer. Será que temos de ajustar o calendário para que seja igual ao europeu? Não sei… Não é justo, nem para nós, nem para os outros. Mas temos de jogar com o que se está a passar, mas acho que sinceramente devia ser algo de reflexão profunda e às vezes até é um bocadinho vergonhoso quando me perguntam o que está a acontecer num momento difícil, numa reta final importantíssima e nós estarmos a ficar sem jogadores para as seleções. Alguma coisa está mal aqui. Não sei se é a nossa direção, se é a CBF, se são os treinadores, se quem organiza. Não sei, mas que não está bem, não está.»

Se o Palmeiras vai tentar que jogadores sejam libertados das seleções:

«Pedir à seleção para libertar jogadores, para não irem à seleção? O Palmeiras não faz isso, o Palmeiras respeita muito a seleção nacional de todos. Brasileiros, argentinos, da Europa… todos. Que autoridade tenho eu, ou o Palmeiras, para pedir a selecionadores para desconvocar? Mas se isso existe, tens de dizer quem são os clubes que fazem isso.»

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