Autoridades reagem a declarações feitas na sequência dos confrontos em Lhasa
O governo chinês está «absolutamente insatisfeito» com a discussão da questão tibetana pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), refere a imprensa estatal chinesa, com Pequim a insistir no carácter doméstico do problema tibetano, informa a agência Lusa.Recorde-se que no passado sábado, durante uma reunião na Eslovénia, os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus aprovaram uma declaração que pede o «fim da violência» no Tibete, em que reitera a «profunda preocupação sobre os acontecimentos» e «condena todo o tipo de violência, pedindo para que os detidos sejam tratados conforme as leis internacionais e que se respeite a liberdade de informação».
Numa posição que a toda a imprensa chinesa divulga esta segunda-feira, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirma a «profunda insatisfação» de Pequim com o facto dos ministros europeus terem mesmo debatido o assunto. «A questão do Tibete é um assunto interno da China. Nenhum país estrangeiro nem organização internacional têm o direito de interferir nela», disse Jiang Yu.
«Esperamos firmemente que a UE e seus estados membros façam uma distinção clara entre o certo e o errado, condenem explicitamente os crimes violentos de agressões, motins, saques e incêndios e todos os desordeiros, e evitem adoptar dois pesos e duas medidas», acrescentou a porta-voz.
Mais tibetanos presos
A polícia nepalesa anunciou ter detido mais de 100 tibetanos que se manifestavam frente à embaixada da China, em Katmandu, Nepal, conforme tem sucedido todos os dias desde o início da crise no Tibete.
Pelo menos 200 elementos da polícia foram destacados para proteger o edifício diplomático chinês e mantêm os manifestantes afastados. Contudo, alguns conseguiram sentar-se em frente os muros em cercaram a embaixada, antes de serem levados em carrinhas da polícia.
Um dos tibetanos detidos, Sonam Chugi, teve tempo dizer à Agência France Presse (AFP) que «o Dalai Lama tem o direito de viver no Tibete, país que deve ser livre e pacífico».
