"Momento histórico": empresa usa inteligência artificial como advogada e vence em tribunal

23 jun, 13:13
Sala de audiências
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Caso foi julgado a 14 de maio, no Tribunal do Condado de Wandsworth, no Reino Unido, durante uma sessão com a duração de cerca de três horas

Uma sociedade de advogados baseada em inteligência artificial venceu um processo num tribunal inglês, num caso que poderá marcar um novo capítulo na utilização desta tecnologia na justiça.

A consultora independente de recursos humanos Tamires Camal Taquidir recorreu à Garfield AI para recuperar em tribunal uma dívida de sete mil libras, mais de oito mil euros. A empresa pagou cerca de 400 libras, mais de 460 euros, para que a plataforma enviasse uma carta formal e avançasse com a ação judicial. 

Mas até ao desfecho, todo o trabalho jurídico que antecedeu o julgamento foi realizado pela inteligência artificial. A Garfield AI preparou quatro declarações de testemunhas, organizou toda a documentação necessária e respondeu a uma reconvenção apresentada pela parte contrária, que estava representada por advogados. Para a audiência, contratou apenas um advogado para assegurar a representação em tribunal.

Segundo o The Guardian, o caso foi julgado a 14 de maio, no Tribunal do Condado de Wandsworth, durante uma sessão com a duração de cerca de três horas. A decisão foi favorável à Tamires Camal Taquidir, que viu reconhecido o direito a receber a quantia em dívida.

A consultora afirmou que o processo lhe parecia demasiado caro, demorado e desgastante, mas que a Garfield AI tornou possível avançar com a ação e enfrentar também a tentativa de intimidação através da reconvenção.

Philip Young, cofundador da Garfield AI, classificou o desfecho como um "momento histórico" para o acesso à justiça, defendendo que muitas pequenas empresas acabam por desistir de recuperar créditos porque os custos de um processo judicial superam frequentemente o valor que esperam receber.

Já o advogado Dominic Li, responsável por representar a cliente na audiência, considerou que a inteligência artificial apresentou o caso de forma clara e eficiente, embora tenha sublinhado que a defesa em tribunal continua a ser "um exercício essencialmente humano".

A decisão surge numa altura em que a utilização de inteligência artificial no setor jurídico tem estado debaixo de escrutínio. No mês passado, a sociedade internacional de advogados Pinsent Masons, com sede em Londres, comunicou à entidade reguladora da profissão dois casos em que induziu o tribunal em erro devido a resultados fornecidos por um sistema interno de inteligência artificial.

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