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O que a IA não pode substituir

20 ago 2025, 12:38
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A inteligência artificial está a transformar profundamente a forma como antecipamos e gerimos situações de risco. Em frações de segundo, algoritmos cruzam dados, detetam padrões atípicos e emitem alertas com uma rapidez e precisão que ultrapassam as capacidades humanas. Contudo, esta eficácia esbate-se quando o desafio passa a ser interpretar o que não é óbvio: um silêncio carregado de significado, uma hesitação na voz, um gesto contido que revela mais do que mil imagens.

É nesse território das emoções, dos instintos e da intuição que o elemento humano continua a ser insubstituível. Um sistema automatizado pode identificar um som fora do comum, mas não compreende o peso de uma chamada feita com voz trémula. Não distingue o nervosismo genuíno de um susto passageiro. Só um profissional treinado consegue captar essas subtilezas e decidir, com discernimento, se deve escalar uma situação ou desativar um alarme para evitar o pânico.

A verdade é que o mundo não segue um manual. Há sempre um detalhe fora do padrão: um objeto fora do lugar que sugere intrusão, um carro estacionado de forma suspeita, uma cortina que se move ao sabor do vento e que pode ser confundida com uma presença. Nestes cenários, a máquina pode emitir o alerta, mas é o olhar humano que interpreta o contexto e decide o próximo passo.

A verdadeira força da segurança moderna reside na aliança entre tecnologia e experiência humana. A cada falso alarme, os algoritmos aprendem. A cada decisão contextual tomada por um operador, o sistema refina-se. Esta simbiose entre inteligência artificial e inteligência emocional permite evoluir de uma vigilância reativa para uma proteção verdadeiramente proactiva.

No futuro, que já começou, quem ganhará terreno não será a máquina isolada nem o olhar humano sem apoio tecnológico, mas a combinação equilibrada de ambos. Vencerá quem souber conjugar o cálculo instantâneo com o bom senso, a precisão com a empatia. Porque, no final de contas, segurança não é apenas prevenir incidentes e reduzir estatísticas. É, acima de tudo, garantir confiança e tranquilidade a quem mais precisa.

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