Paulo Portas destacou que o pedido do CEO da Anthropic para interromper o desenvolvimento da IA surgiu uma semana após a primeira encíclica do atual papa, na qual Leão XIV alerta para os perigos do desenvolvimento da inteligência artificial, especialmente no setor da defesa
Paulo Portas destacou este domingo o pedido da Anthropic para que o desenvolvimento da inteligência artificial seja colocado em pausa.
No Global, o comentador da TVI explicou que a empresa americana, uma das mais importantes desta área, quer interromper o desenvolvimento tecnológico pois “já estamos muito perto da fase em que os modelos de inteligência artificial conseguem fazer o desenvolvimento dos seus sucessores”.
“No início, há cerca de dois anos, o Claude era capaz de produzir 10% do seu modelo autonomamente, sem recorrer a cientistas, especialistas, doutorados em informática e outros que colaboram nestes modelos. Seres humanos, no fundo. Seres humanos. Em 2026 produzem 80% dos códigos. O que significa, segundo a Anthropic, que não para lá de 2027, os modelos de inteligência artificial serão capazes de produzir o próximo modelo sem intervenção humana”, explicou Portas.
“Isto leva-nos um bocadinho para o domínio da ciência-ficção, que afinal não era tão ficcional como isso, mas todos sabemos como é que acabam as questões, os romances ou os filmes de ciência-ficção: acabam sempre com o problema do controlo dos limites e da capacidade de manter a humanidade com o humanismo”, acrescentou.
Paulo Portas destacou que o pedido do CEO da Anthropic, Dario Amodei, surgiu uma semana após a primeira encíclica do atual papa, na qual Leão XIV alerta para os perigos do desenvolvimento da inteligência artificial, especialmente no setor da defesa.
“O que a Anthropic diz é ‘nós precisamos de fazer uma pausa agora, falar com os decisores, com os legisladores, com a sociedade civil e com os parceiros para manter um domínio humano sobre esta evolução tecnológica”.
O comentador da TVI destacou também a primeira ordem executiva de Donald Trump, publicada “discretamente”, para regular esta indústria. “Essa ordem executiva sugere às companhias de inteligência artificial que, até 30 dias antes de venderem as suas novas aplicações ao público, vão ao governo, não a um regulador, que em princípio seria independente, dizer o que é que essa aplicação tem”, explicou.
