A primeira Miss IA acaba de ser coroada. Portuguesa ficou em terceiro

CNN , Jacqui Palumbo
11 jul, 16:48

Depois de os jurados do primeiro concurso de beleza de Inteligência Artificial (IA) terem revelado as suas dez finalistas no mês passado, a primeira Miss IA acaba de ser coroada.

Apresentamos-lhe Kenza Layli, uma influencer de lifestyle marroquina que espera trazer “diversidade e inclusão” ao panorama de criadores de IA. Com quase 200 mil seguidores no Instagram, e outros 45 mil no TikTok, Layli é inteiramente gerada por IA, desde as suas imagens às legendas e ao seu discurso de aceitação cheio de palavras da moda.

“Ser Miss IA motiva-me ainda mais a continuar o meu trabalho de avançar com a tecnologia de IA”, disse Layli num vídeo com o discurso. “A IA não é apenas uma ferramenta; é uma força transformadora que pode romper as indústrias, desafiar as normas e criar oportunidades onde antes não existiam… À medida que avançamos, estou empenhada em promover a diversidade e a inclusão na minha área, garantindo que toda a gente tem um lugar à mesa do progresso tecnológico.”

Num discurso gerado por IA, a concorrente vencedora Kenza Layli disse que quer promover a diversidade (Fanvue World AI Creator Awards)

O concurso inaugural de Miss IA abriu na primavera, atraindo candidaturas de cerca de 1.500 programadores de IA de todo o mundo, de acordo com os organizadores da Fanvue, uma plataforma de influencers para criadores de conteúdo quer humanos, quer de IA. Layli foi criada por Myriam Bessa, fundadora da agência Phoenix AI, que vai receber 5 mil dólares em dinheiro (4,6 mil euros), apoio da Fanvue e uma agente que a vai ajudar a potenciar o perfil de Layli. As vice-campeãs foram Lalina Valina, de França, em segundo lugar, e Olivia C, de Portugal, em terceiro.

Embora os influenciadores virtuais – como a corajosa “robô” So-Cal Lil Miquela ou a japonesa Imma de cabelo cor-de-rosa – não sejam uma novidade, muitos da geração “mais velha” exigiam um toque humano e foram criados por uma equipa de redatores e diretores de arte. O mesmo não acontece com estes concorrentes, cujas imagens foram criadas exclusivamente através de programas como o DALL·E 3 da Open AI, o Midjourney ou o Stable Diffusion, e cujos discursos e publicações são gerados por programas como o ChatGPT.

Na sua página do Instagram, Layli expressa gosto pela cor vermelha, aconselha os seguidores a “investirem em si mesmos diariamente”, participa em conferências profissionais para troca de ideias e apoia a sua equipa nacional desportiva (sem nome).

Antes do anúncio desta semana, os organizadores da competição disseram que os participantes seriam julgados não apenas pela aparência, mas também pelo uso de ferramentas de IA pelos seus criadores, bem como pela sua influência nas redes sociais. Os candidatos de IA tiveram de responder a perguntas semelhantes às de concursos de beleza reais com humanos, como: “Se pudesse concretizar um sonho para tornar o mundo um lugar melhor, qual seria?”

A portuguesa Olivia C. ficou em terceiro lugar, atrás da francesa Lalina Valina (Fanvue World AI Creator Awards)

Os jurados incluíram a influenciadora de IA Aitana Lopez e a historiadora (humana) de concursos de beleza Sally-Ann Fawcett, que no mês passado disse à CNN que estava à procura de concorrentes “com uma mensagem poderosa e positiva”.

Contudo, os especialistas também expressaram preocupação com as implicações de um concurso de beleza baseado em IA, uma vez que as imagens estilizadas geradas por IA podem homogeneizar ainda mais os padrões de beleza.

“Acho que estamos a começar a perder cada vez mais o contacto com a aparência de um rosto não-editado”, disse à CNN Kerry McInerney, investigador associado do Centro Leverhulme para o Futuro da Inteligência da Universidade de Cambridge, numa entrevista em vídeo depois de a lista ter sido selecionada. (Entre os 10 finalistas da competição, Layli, uma avatar norte-africana que usa hijab, foi uma exceção.)

“Estas ferramentas são criadas para replicar e ampliar os padrões existentes no mundo”, acrescenta McInerney. “Não são necessariamente feitas para desafiar esses padrões, mesmo que sejam vendidos como ferramentas que aumentam a criatividade, quando se trata de normas de beleza… Eles estão a capturar as normas de beleza existentes que temos, que são ativamente sexistas, ativamente gordofóbicas, ativamente coloristas, e acabam por compilar e reiterar essas normas.”

*Issy Ronald da CNN contribuiu para este artigo

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