Tudo é possível com um orçamento “normal”. Inteligência artificial já lidera no marketing português

6 mai, 12:00
ChatGPT (AP)

Ferramentas como o ChatGPT ou DALL-E permitem produzir conteúdos de forma rápida e precisa. A revolução está em curso e já está a revolucionar o marketing digital português

A inteligência artificial (IA) é uma ferramenta já familiar para muitos setores, mas, contrariamente às anteriores revoluções tecnológicas, a IA generativa (como o ChatGPT) está a ser extremamente rápida. No entanto, esta evolução está a gerar desafios.

A IA generativa é uma ferramenta capaz de produzir conteúdos a partir de instruções, sendo possível interagir com assistentes virtuais como se estivéssemos a falar com outra pessoa. Esta facilidade faz com que todos possam utilizar a IA. No entanto, isto também pode ser um problema no mundo do trabalho, já que os trabalhadores acabam por utilizar a IA pela via da experimentação, sem regras e sem otimizar resultados.

Wise Pirates inventa uma nova forma de trabalhar com IA

De forma a evitar o uso desmedido da IA, a agência de marketing digital Wise Pirates criou o primeiro framework da Europa na área. Isto é, criou um modelo de trabalho que diz quais os passos a seguir para quem queira produzir conteúdo especializado. Este modelo surge porque ferramentas como o ChatGPT ou DALL-E têm formas de trabalhar diferentes, diz o CEO da Wise Pirates, Pedro Barbosa. Acontece que as marcas estão a cometer um de dois erros, aponta:

  • Usam estes algoritmos sem qualquer regra, de forma descoordenada e descontrolada, sem saber quem os usa dentro das suas empresas;
  • Não utilizam de todo para não correr riscos, o que, “talvez seja pior”, explica.

Acreditamos que o trabalho com IA é feito através da fusão entre pessoas e IA. O que nós descrevemos como ‘complete, don't compete’”, defende Pedro Barbosa.

Criado pela Wise Pirates em colaboração com a Universidade do Porto, o modelo de trabalho coloca pessoas e IA lado a lado permanentemente e pretende ajudar as empresas a estar prontas para esta tecnologia. De forma bastante simplificada, o modelo conta com os seguintes passos:

  1. Entrega-se “à máquina” até duas ou três páginas de instruções (também chamado de ‘prompting’);
  2. A mão humana trata da otimização do impacto social e económico do resultado obtido, bem como da sua edição final;
  3. Recolhe-se o resultado final (pode ser uma imagem ou outros tipos de média);
  4. Com base na performance do resultado, realimenta-se a IA com os dados obtidos de modo a que esta faça melhor na próxima vez.

Inteligência artificial vai criar mais "super-heróis"

Para o CEO da Wise Pirates, a ideia de "nós ou IA" é errada. "Nós é que não estamos habituados a pensar em nós e a IA juntos”, acrescenta. Para Pedro Barbosa não restam dúvidas de que o trabalho vai mudar, mas a verdadeira questão é “como podemos ajudar a IA a ajudar-nos de volta?”.

A transição tecnológica não será possível para todos, antevê o CEO, pelo que esta deve ser feita de forma rápida e estruturada. Contudo, Pedro Barbosa defende que a IA irá substituir algumas das nossas funções. “A IA vai fazer melhor e nós vamos fazer outras funções para a ajudar. Vamos ter muito mais super-heróis”, acredita.

Por outro lado, “ninguém sabe muito bem se isto vai criar ou tirar emprego", considera. "Pessoalmente, acho que vai criar mais emprego do que tirar, mas como todas as transformações, faz as duas coisas.” Independentemente do resultado ser mais ou menos emprego, Pedro Barbosa assume que o ambiente se irá tornar mais competitivo, rápido e preciso.

Exemplificando com uma comparação entre duas imagens produzidas, uma feita de modo tradicional e outra com recurso a IA usando o novo modelo, as diferenças entre os métodos de trabalho tornam-se mais notórias. Do ponto de vista da consistência, Pedro Barbosa sublinha que as imagens geradas pela IA são muito diferentes e alerta ainda que, contrariamente ao que se possa pensar, na segunda imagem, nenhuma das pessoas é real.

Imagem criada sem o novo modelo da Wise Pirates
Imagem feita com recurso a IA, utilizando o novo modelo da Wise Pirates

A contrapartida é que, no futuro, vamos querer algoritmos que detetem se a informação à nossa frente foi criada por IA ou não, refere o CEO. No caso da fotografia, por exemplo, Barbosa admite ser muito difícil identificar se uma imagem foi produzida por esta tecnologia. Por um lado, irá haver mais fraudes, admite. Por outro, o nível de confiança irá ser o elemento de distinção para as marcas e pessoas.

Qual o impacto que já se está a sentir?

No marketing, o CEO da Wise Pirates antecipa que se irá assistir a uma explosão de ativos digitais criados pela IA, pelo que se irá tornar num requisito obrigatório saber trabalhar com estas ferramentas. No entanto, para se fazer o “marketing do presente e do futuro”, o CEO acredita que o conhecimento de IA será adquirido dentro das empresas.

O motivo para isto deve-se ao “gap” entre a formação dada e as reais necessidades do mercado de trabalho, pois “praticamente todas as escolas de marketing estão preparadas para ensinar o marketing” de há 20 anos, sublinha.

Os dados da Wise Pirates estimam que 60% das pessoas não se estejam a preparar para lidar com a IA, seja por consciência própria, seja, sobretudo, porque as empresas não se prepararam para tal. Por outro lado, existem ainda situações de pessoas a introduzir informação sensível das empresas nos próprios algoritmos, informação esta que pode depois ser usada pelo mercado como um todo.

Desde a implementação do novo framework, os resultados da Wise Pirates estimam que a produção de conteúdos se tornou 350% mais rápida, embora o CEO reconheça que tal varie, dado que existe inicialmente uma curva de aprendizagem.

Por outro lado, após a Wise Pirates questionar a própria equipa e os seus clientes sobre qual o melhor conteúdo, em 80% dos casos foi a IA a sair vencedora. Porém, a grande revolução que este modelo de trabalho traz é que agora tudo se torna possível com um orçamento “normal”.

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