Inteligência Artificial já é "equivalente" e até superior à humana. Mas ainda há um mas

7 nov, 10:58
Aplicações de Inteligência Artificial
Os logótipos do Google Gemini, ChatGPT, Microsoft Copilot, Claude by Anthropic, Perplexity e Bing apps são exibidos no ecrã de um smartphone em Reno, Estados Unidos, em 21 de novembro de 2024. (Foto de Jaque Silva/NurPhoto via Getty Images)

Sistemas de IA já rivalizam com a inteligência humana em alguns domínios

As declarações de alguns dos principais pioneiros da área reacenderam a discussão sobre o momento em que a “superinteligência” - uma forma de IA superior a todas as capacidades cognitivas humanas - poderá tornar-se realidade. Os “padrinhos” desta tecnologia revolucionária afirmam que a Inteligência Artificial (IA) já é “equivalente” e até superior à humana em alguns domínios, de acordo com o Financial Times.

Tudo isto à margem do Prémio de Engenharia Queen Elizabeth, que teve os seguintes vencedores: o chefe da Nvidia, Jensen Huang; o chefe da Meta AI, Yann LeCun; e os cientistas informáticos Yoshua Bengio, Geoffrey Hinton, Fei-Fei Li e Bill Dally. Este grupo sugeriu que as máquinas já atingiram um nível de raciocínio comparável ao humano em diversas tarefas, durante a cimeira do Financial Times sobre o fututo da IA, em Londres.

“Pela primeira vez, a IA é uma inteligência que complementa as pessoas, que trabalha e executa tarefas reais”, afirmou Jensen Huang. A Inteligência Artificial está cada vez mais presente no dia a dia dos cidadãos e Huang afirma que já “temos inteligência geral suficiente para converter esta tecnologia em inúmeras aplicações úteis para a sociedade - e estamos a fazê-lo agora”.

O conceito de Inteligência Geral Artificial (AGI), que descreve sistemas com capacidades cognitivas equiparáveis às humanas, capazes de compreender, aprender e aplicar conhecimentos em qualquer tarefa que um ser humano possa realizar, tornou-se um dos principais temas na corrida tecnológica entre as grandes empresas e as potências mundiais.

O entusiasmo em torno da AGI também impulsionou o valor de mercado de empresas públicas e privadas de IA. No primeiro trimestre de 2025, o termo “AGI” foi mencionado 53% mais vezes nas videoconferências sobre resultados empresariais do que no mesmo período do ano anterior. A OpenAI e a Anthropic têm atraído investimentos de milhares de milhões de dólares na tentativa de desenvolver essa tecnologia, enquanto os EUA e a China competem pela liderança neste setor.

As previsões sobre quando a “AGI” será plenamente atingida variam: alguns investigadores acreditam que poderá surgir nos próximos dois anos, enquanto outros consideram que ainda faltam décadas.

Contudo, os pioneiros da área defendem que a transição não irá ocorrer de forma repentina. “Não vai ser um acontecimento porque as capacidades vão expandir-se progressivamente em vários domínios”, explicou Yann LeCun.

Jensen Huang afirma que “já lá estamos... e não interessa porque, nesta altura, é uma questão um pouco académica” e a tecnologia vai continuar a ser aplicada. Ainda assim, há divergências quanto à possibilidade de as máquinas ultrapassarem os humanos em todos os setores.

“Parte das máquinas irá ultrapassar a inteligência humana... Parte delas já existe. Quantos de nós conseguem reconhecer 22 mil objetos no mundo... quantos humanos conseguem traduzir 100 línguas?”, questionou Fei-Fei Li, fundadora da World Labs, uma startup dedicada a desenvolver “inteligência espacial”, uma abordagem que procura replicar a perceção visual humana em sistemas de IA.

“A inteligência baseada em máquinas fará coisas extraordinárias, mas a inteligência humana continuará a ter um papel essencial na nossa sociedade”, acrescentou.

Geoffrey Hinton, vencedor do Prémio Nobel da Física em 2024 pelo seu contributo para a aprendizagem automática, acredita que a supremacia cognitiva está próxima: “Quanto tempo falta para que, num debate com uma máquina, a máquina ganhe sempre? Penso que acontecerá definitivamente dentro de 20 anos”, afirmou.

Já Yoshua Bengio, também laureado com o prémio Turing, considera inevitável que a IA alcance as nossas capacidades. Afirma que não há “qualquer razão para que, a dada altura, não consigamos construir máquinas capazes de fazer tudo o que nós fazemos” e acrescentou que “é claro que, por enquanto, não é possível, mas não há nenhuma razão conceptual para não o fazer”.

Deixou ainda o aviso de que “é preciso ser muito agnóstico e não fazer grandes afirmações porque há muitos futuros possíveis agora”.

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