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As gigantes tecnológicas estão a apostar forte em computadores que se controlam a si próprios

CNN , Lisa Eadicicco
7 jun, 22:00
Há anos que as empresas tecnológicas tentam criar assistentes digitais para tarefas rotineiras, como criar carrinhos de compras, acompanhar encomendas online e planear viagens. Yuliya Taba/E+/Getty Images
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Nvidia, Microsoft e Google apostam em IA capaz de controlar computadores autonomamente

Há pelo menos uma década que as gigantes tecnológicas tentam desenvolver computadores capazes de executar tarefas complexas em nome dos utilizadores. Mas esses esforços ficaram, em grande parte, aquém das expectativas, com assistentes como Alexa e Siri a serem usados sobretudo para definir alarmes ou reproduzir música.

Agora, algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo acreditam que isso está prestes a mudar.

Nvidia, Microsoft, Google e outras tecnológicas apresentaram recentemente novas tecnologias que, segundo acreditam, podem preparar o terreno para um futuro com menos teclados e ratos. Entre elas estão novos chips, computadores portáteis e software — muitos anunciados esta semana — concebidos para alimentar agentes de inteligência artificial capazes de criar e executar tarefas complexas de forma autónoma.

“O objetivo, no futuro, é perceber: ‘Como posso simplesmente dizer ao computador aquilo que quero que ele faça e depois deixá-lo fazer?’”, afirma Bob O’Donnell, fundador e principal analista da empresa de investigação tecnológica Technalysis.

Nvidia e Microsoft estão a reformular o Windows para permitir mais deste tipo de funcionamento. A Nvidia revelou a 1 de junho um novo chip para portáteis Windows chamado RTX Spark, pensado para executar agentes de IA sem necessidade de ligação à cloud. O chip combina tecnologias gráficas, de computação e rede da Nvidia com mais memória do que um portátil convencional. Dell, HP e Lenovo vão lançar computadores com o novo chip no outono.

Os futuros Googlebooks da Google serão capazes de sugerir ações quando o utilizador apontar o rato para determinados elementos no ecrã, como marcar uma reunião ao passar o cursor sobre uma data num email.

O diretor executivo da Nvidia, Jensen Huang, durante a conferência Nvidia GTC, a 18 de março de 2025, em San Jose, Califórnia. (Justin Sullivan/Getty Images/File)

Há anos que as empresas tecnológicas tentam criar assistentes digitais para tarefas rotineiras, como criar carrinhos de compras, acompanhar encomendas online e planear viagens. Os assistentes anteriores conseguiam executar tarefas isoladas — como chamar um táxi ou fazer uma encomenda — mas não trabalhos com várias etapas nem compreender preferências pessoais. Isso começou a mudar depois de os grandes modelos de linguagem ganharem destaque com o lançamento do ChatGPT no final de 2022.

O OpenClaw, o popular assistente de IA que este ano conquistou programadores em todo o mundo, é talvez o maior exemplo de como a IA está a alterar os hábitos de utilização dos computadores para algumas pessoas. O agente consegue executar programas e completar pedidos sem necessidade de instruções constantes. Programadores disseram anteriormente à CNN que usam o OpenClaw, por exemplo, para investigação num computador em casa: enquanto fazem outras tarefas, acompanham o progresso do agente através de mensagens no WhatsApp ou Telegram.

Segundo a Bloomberg e o Wall Street Journal, alguns trabalhadores do setor tecnológico começaram até a dar comandos por voz aos agentes de IA em vez de escrever.

“As coisas são muito diferentes agora porque mais pessoas se habituaram a usar ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Anthropic”, afirma David Naranjo, diretor associado da empresa de estudos de mercado Counterpoint Research.

O diretor executivo da Nvidia, Jensen Huang, demonstrou esta semana, durante uma conferência e imprensa, como um portátil equipado com um dos novos chips da empresa pode ajudar a desenhar uma casa, usando agentes de IA para trabalhar entre aplicações de modelação 3D.

E a Microsoft está a desenvolver um novo agente para o Microsoft 365 chamado Scout, baseado na tecnologia do OpenClaw, anunciado esta terça-feira. O Scout poderá trabalhar com conteúdos armazenados na cloud, no computador do utilizador e na internet, incluindo aplicações como Outlook e Teams. A Microsoft espera que o Scout consiga, por exemplo, monitorizar emails e conversas de trabalho de forma contínua.

Ainda assim, os especialistas dizem que a maioria das pessoas não conseguirá controlar os computadores apenas com alguns comandos tão cedo, em parte porque estes novos portáteis deverão ser caros. E embora empresas como Anthropic e OpenAI atualizem os seus agentes de IA a um ritmo acelerado, os usos para consumidores comuns ainda não justificam a compra de um computador dispendioso apenas para acompanhar a evolução tecnológica.

“Ainda não se tornou indispensável, certo? E penso que é aí que está o desafio para a Nvidia, Microsoft e outras empresas”, considera Naranjo.

A IA tende a ser mais útil para empresas do que para consumidores individuais, e processar tarefas sem enviar dados para a cloud é geralmente mais seguro. Executar tarefas de IA localmente também pode ser mais barato para as empresas.

Há ainda a questão mais ampla da confiança. Será que as pessoas confiam suficientemente na IA para tratar de tarefas críticas? Se um agente de IA comprar bilhetes para o concerto do seu artista favorito, o que acontece se interpretar mal o orçamento e adquirir lugares demasiado caros?

“Há toda uma série de problemas que precisam de ser resolvidos antes de isto chegar ao mercado de massas”, sublinha Jitesh Ubrani, diretor de investigação da empresa International Data Corporation. “Mas estamos no caminho certo? Sim.”

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