“O ser humano vai ter de se adaptar: ser mais um curador de informação da inteligência artificial”

1 mar, 19:03
André Rabanea

ENTREVISTA || André Rabanea, fundador da Torke, a primeira agência de marketing de guerrilha de Portugal, tem trabalhado com o setor das viagens para mostrar como, aliada à inteligência artificial, a criatividade pode fazer toda a diferença na hora de manter a resiliência deste negócio

Num mundo em mudança, como é que o setor das viagens pode usar a criatividade para se destacar?

O mundo das viagens tem tido uma evolução muito grande, sobretudo com a inteligência artificial. Estou sempre a lembrá-los que a criatividade é um fator muito importante, independente da tecnologia. Vamos sempre precisar do ser humano, associado à tecnologia, para conseguir pensar em novas soluções ou ferramentas que nos permitam ser mais eficazes.

Então, o que tem de fazer o ser humano para marcar a diferença?

O ser humano está acostumado a fazer tudo do mesmo jeito. Vai ter de se adaptar. O ser humano vai ter de ser mais um curador de informação, um curador de tantas referências que vêm da inteligência artificial, para poder produzir melhor e ser mais eficaz”.

Até porque, hoje, chego à Internet e consigo tratar de uma viagem em minutos. Qual será o papel do agente de viagens daqui em diante?

O agente de viagens vai ser o curador. É a mesma lógica da criatividade. A inteligência artificial vai dar-nos toda a informação. Mas, depois, a experiência vivida em cada local só um humano é que pode ter. A inteligência artificial nunca vai ter isso.

E por falar em experiência, esteve em Macau para o último congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT). O Oriente é um mercado emergente. Que atenção devemos dar a este mercado?

Temos de nos adaptar, culturalmente, a todos os mercados. Os métodos de comunicação e linguagem funcionam de formas diferentes. A própria inteligência artificial faz isso. O turismo vai mudar muito. Vai ficar ‘mainstream’ em alguns lados, por isso, temos de procurar novas soluções. Haverá inteligências artificiais que nos vão encaminhar mais para o ‘mainstream’ e inteligências artificiais que nos vão encaminhar mais para uma coisa independente, para um turismo mais focado em nós.

Como diz, há o risco de a tecnologia nos mandar todos para o mesmo lado. É aí que o ser humano pode fazer a diferença, na redistribuição dos fluxos?

É mesmo. Podemos perguntar à inteligência artificial ‘Para onde é que eu vou amanhã?’ e ela responder que ‘Paris é um dos lugares mais visitados’. Se ficarmos pelo básico, ela entrega-nos o básico. Se formos a fundo, ao detalhe, ela entrega-nos detalhe. Tudo depende de nós.

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