IA Amália é estratégico para Portugal, diz ministério da Reforma do Estado

Agência Lusa , AM
8 jan, 11:15
Inteligência Artificial (Getty Images)

Agenda Nacional de IA tem investimento acima de 400 ME até 2030

O Governo vai continuar a investir no modelo de inteligência artificial (IA) Amália, que classifica de "estratégico para Portugal", e este ano o investimento será orientado para desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo.

"O Amalia é estratégico para Portugal. Assim o país poderá dispor de um modelo avançado de IA treinado em português europeu, preparado para responder a casos de uso concretos — desde o apoio jurídico e análise de processos administrativos ao atendimento digital e melhoria dos serviços públicos", refere o ministério da Reforma do Estado, na nota "Q&A sobre a Agenda Nacional de Inteligência Artificial" (perguntas e respostas acerca da agenda).

"Os resultados obtidos até agora confirmam essa escolha: o relatório técnico preparado pela equipa de investigação e desenvolvimento demonstra que o Amália apresenta melhor desempenho em português europeu do que outros modelos abertos existentes, o que valida esta aposta e reforça a necessidade de continuidade", sublinha o ministério.

Em 29 de dezembro, a Lusa tinha noticiado que o Amália tinha melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos, de acordo com o relatório técnico da equipa de investimento e desenvolvimento a que a agência de notícias teve acesso.

"Os resultados mostram que o AMALIA-DPO [Direct Preference Optimization] atinge o melhor desempenho entre os modelos totalmente abertos por uma margem considerável, obtendo mesmo os melhores resultados entre todos os modelos em lexicologia e semântica, demonstrando um domínio robusto das competências linguísticas específicas" do português de Portugal em diversas categorias, lia-se no documento.

Em 2026, "o investimento será orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português", segundo o ministério, que adianta que "será assegurada a evolução segura do modelo, garantindo alinhamento com a Agenda Nacional de IA e com os princípios europeus de responsabilidade, ética e transparência".

O modelo Amalia é desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Governo cria Centro de Excelência em inteligência artificial integrado na ARTE

O Governo vai criar um Centro de Excelência em inteligência artificial (IA) que será integrado na Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) para atuar como “coordenador transversal no Estado”, divulgou hoje o ministério da Reforma do Estado.

Este Centro, que será criado no primeiro semestre de 2026, faz parte de um conjunto de medidas que integram a Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA), publicada hoje em Diário da República e pretende “evitar duplicação e acelerar casos de uso prioritários”.

“O Centro de Excelência vai funcionar como a estrutura que resolve os principais obstáculos que hoje impedem a adoção de IA na Administração Pública — a fragmentação de projetos, os pilotos sem escala, a falta de interoperabilidade e a complexidade da contratação pública”, lê-se num documento divulgado pelo gabinete da Reforma do Estado.

O ministério considera que tais “barreiras levam a uma adoção lenta e a perdas de eficiência, apesar de muitas tarefas serem semelhantes entre organismos”.

Segundo o documento, o gabinete da responsabilidade de Gonçalo Matias, crê que “como muitos processos são transversais”, nomeadamente a “análise de candidaturas, gestão documental, planeamento financeiro, controlo de despesa ou assessoria jurídica”, as ferramentas de IA podem ser aplicadas em várias entidades.

“O Centro de Excelência na Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) vai coordenar este trabalho, criando soluções reutilizáveis, garantindo interoperabilidade e evitando duplicação de investimento”, conclui o documento.

O Governo vai criar ainda Centros de IA Setoriais que “irão focar-se no desenvolvimento de produtos, em consórcio de inovação entre academia, empresas e Administração Pública”.

“Iremos começar pela Saúde, alavancando o trabalho do Center for Responsible AI e pela Indústria e Robótica”, lê-se no documento.

Agenda Nacional de IA tem investimento acima de 400 ME até 2030

A Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA) terá um investimento acima dos 400 milhões de euros até 2030, maioritariamente com fundos europeus, de acordo com informação do ministério da Reforma do Estado hoje divulgada.

A Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 2/2026 que aprova a Agenda Nacional de IA, bem com o Plano de Ação da Agenda Nacional de Inteligência Artificial (PAANIA) para o quinquénio 2026-2030, foi publicada hoje em Diário da República e entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação, ou seja, na sexta-feira.

Relativamente ao custo total da ANIA, esta "terá um investimento de mais de 400 milhões de euros no período 2026-2030, maioritariamente com fundos europeus" e "trata-se de um investimento estratégico feito com rigor orçamental", refere o ministério tutelado por Gonçalo Matias.

O Governo vê a IA "como uma oportunidade de aceleração da posição competitiva de Portugal, capaz de gerar um acréscimo estimado de 18–22 mil milhões de euros ao PIB, na próxima década".

O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, já referiu por diversas vezes que Portugal tem condições únicas para aproveitar a oportunidade da IA.

O ministério elenca desde uma base de talento sólida e crescente, passando por universidades e centros de investigação de excelência em áreas técnicas, uma estrutura energética renovável, estável e acessível, um ecossistema tecnológico e de startups em expansão, capacidade de atração de talento internacional, e uma localização geoestratégica única entre três continentes.

"Portugal pode liderar em setores e áreas estratégicos, utilizando a IA como um instrumento de aceleração do crescimento económico e bem-estar social", refere o ministério.

Recorde-se que Portugal tem uma candidatura a uma gigafactory europeia.

Esta candidatura liderada pelo BPF - Banco Português de Fomento está em fase de apreciação inicial na União Europeia, no âmbito do programa EuroHPC.

"A instalação de uma gigafactory em Portugal é uma peça relevante da ANIA, como instrumento de criar capacidade industrial para IA (além da capacidade de supercomputação para investigação e PME/startups) e reduzir a dependência externa", refere o ministério, num documento sobre Q&A relativas à Agenda Nacional de Inteligência Artificial.

A candidatura do BPF a uma das cinco gigafactories europeias "é uma das vias para concretizar esta medida. Portugal regista também interesse privado estrangeiro (por exemplo, o projeto da StartCampus estima ter 1.2GW de capacidade quando completo)", acrescenta.

No que respeita ao centro de dados, "estamos a finalizar o Plano Nacional de Centros de Dados, que será o guia estratégico para acelerar este setor em Portugal" e incluirá "medidas concretas como a criação de zonas com licenciamento simplificado".

O Estado já investiu cerca de 10 milhões de euros em casos de uso concretos de IA atualmente em desenvolvimento na Administração Pública, de um investimento total previsto de 25 milhões de euros.

A agenda aposta em Centros de IA Setoriais, sedo que os primeiros serão criados em saúde, "alavancando o trabalho já desenvolvido no Center for Responsible AI, onde a IA tem potencial direto para melhorar cuidados aos doentes, apoiar profissionais de saúde, aumentar eficiência do sistema e acelerar inovação clínica" e indústria e robótica, "reforçando a aplicação de IA à indústria transformadora, com impacto direto na produtividade, competitividade das empresas e criação de emprego qualificado".

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