Qual a vacina mais eficaz? Quem são os portugueses com mais anticorpos? Já há respostas: o inquérito serológico do INSA visto ao detalhe

22 dez 2021, 21:00
Pessoas na rua
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Há duas vacinas que se mostram mais eficazes, há um grupo etário que apresenta maior proteção. Relatório esclarece ainda outros dados sobre a imunidade

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De acordo com os dados apresentados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a população residente em Portugal apresenta uma imunidade de 86,4%. Mas esta percentagem não é semelhante em todas as faixas etárias.

Os dados apresentados revelam ainda uma maior seroprevalência para quem foi inoculado com as vacinas da Pfizer ou da Moderna e reforça a importância da terceira dose de vacinação, uma vez que a presença de anticorpos mostrou-se maior em quem foi inoculado três vezes.

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O relatório dá conta de que “a diminuição da eficácia da vacina pode refletir uma combinação da diminuição dos títulos de anticorpos e da diminuição da capacidade de neutralização num cenário de ampla circulação de variantes com escape imunológico parcial”, mas destaca que “a eficácia da vacina contra a hospitalização e/ou doença grave continua a ser elevada, variando de 84% a 96% até seis meses após a vacinação para as vacinas de mRNA”.

Dos 4.545 indivíduos que participaram na terceira fase do ISN COVID-19, 52,9 % eram do sexo feminino.

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Moderna e Pfizer são as vacinas mais eficazes

Segundo os dados da terceira fase do Inquérito Serológico Nacional COVID-19 do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a presença de anticorpos (IgG, Imunoglobulina do tipo G) é maior nas pessoas que tomaram as vacinas da Moderna (mediana: 6.392 UA/ml) e da Pfizer/BioNTech (mediana: 2.178 UA/ml).

Para Miguel Castanho, investigador no Instituto de Medicina Molecular, estes dados estão “em linha com o que já foi deduzido noutros países”, que revelam uma maior eficácia por parte destas duas vacinas, tal como este recente estudo, publicado no primeiro dia de dezembro na revista científica The New England Journal of Medicine.

De acordo com o especialista, “não há uma razão muito objetiva” para que as vacinas da Moderna e da Pfizer ofereçam mais anticorpos, mas o facto de as duas vacinas usarem a técnica mRNA (que carregam o código genético do vírus) pode ser um fator. “São as duas que têm esse modo de funcionamento e esse modo de funcionamento leva a uma maior produção de anticorpos e a uma proteção acrescida na prevenção da doença”, esclarece.

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Pessoas com 50-59 anos têm mais anticorpos, já as pessoas com menos de 20 anos apresentam uma menor imunidade

“A seroprevalência foi mais elevada na população entre os 50 e os 59 anos (96,5 %)”, lê-se no relatório, que dá também conta que, “tal como acontece com a infeção, o efeito protetor da imunidade induzida pela vacina também é suportado por componentes de longo prazo da resposta humoral, incluindo células B de memória”. 

Para Miguel Castanho, neste caso “pode haver uma conjugação de fatores de idade, há questões intrínsecas da fisionomia e de tempo de vacinação”.

Por seu turno, os grupos etários abaixo dos 20 anos foram aqueles em que se observaram seroprevalências mais baixas (17,9 % entre os 1-9 anos e 76,8 % entre os 10-19 anos). Aqui, o facto de terem sido dos grupos a serem mais tardiamente vacinados pode ajudar a explicar a menor presença de anticorpos.

Olhando para todas as faixas etárias, o relatório do INSA assume “uma seroprevalência de 25% para indivíduos com 1-9 anos, 30% para indivíduos com 10-19 anos de idade, de 70% até aos 39 anos, de 80% entre os 40 e 69 anos e de 95% no grupo etário cima dos 70 anos”.

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Seroprevalência é também mais elevada em pessoas com uma ou mais doenças crónicas

A seroprevalência total mais elevada verificou-se também em pessoas “com duas ou mais doenças crónicas (90,8 %)”. Relativamente a este dado, Miguel Castanho reconhece que “é difícil afirmar taxativamente” qual a razão, mas defende que o facto de pertencerem ao grupo de risco e, por isso, terem sido vacinados numa primeira fase pode ajudar a justificar a presença de anticorpos. “A vacinação é um fator determinante para a seropositividade”, garante o investigador.

Quem teve covid-19 e sintomas apresenta uma maior seroprevalência 

O relatório do INSA dá conta de uma seroprevalência pós-infeção mais elevada nos indivíduos que referiram ter tido um contacto com caso suspeito ou confirmado de covid-19, mas também naqueles que reportaram ter tido uma infeção prévia causada pelo novo coronavírus.

 

Porém, os dados apresentados notam uma “seroprevalência pós-infeção foi mais elevada no grupo que reportou ter tido anosmia e/ou três ou mais sinais ou sintomas entre os seguintes: febre, arrepios, astenia, odinofagia, tosse, dispneia, cefaleia, náusea/vómitos e diarreia”. 

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“Mais seroprevalência em quem teve a doença sintomática não me espanta”, diz Miguel Castanho, que explica que, ao contrário da vacina, que se baseia na apresentação ao sistema imunitário “da réplica” de um componente, a infeção pelo vírus “expõe mesmo” o sistema imunitário a esse componente.

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