Quase metade das papas para bebé à venda em Portugal tem açúcar adicionado

27 dez 2021, 09:49
Papa para bebé
Papa para bebé

Estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge vem revelar que o açúcar é o ingrediente que mais preocupa. As alegações feitas nas embalagens são também motivo de alerta

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Um recente estudo levado a cabo pelo Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) vem revelar que 69% dos alimentos para bebés dos seis aos 36 meses não cumprem os requisitos pedidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Só um em cada três cumpre.

As alegações feitas nas embalagens destes mesmos produtos para bebés foram também alvo de análise e a equipa do INSA concluiu que estes alimentos estão a ser “promovidos de forma inadequada”, uma vez que “97% apresentaram, pelo menos, um tipo de alegação nutricional ou de saúde na embalagem”, algo que, diz o estudo, é desaconselhado “pelo Codex Alimentarius (CAC/GL 23-1997 – Guidelines for use of nutrition and Health claims) e é reforçada tanto pelo International Code of marketing of breastmilk substitutes como pelo modelo da OMS”.

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Diz ainda a investigação que 47% das papas infantis têm uma fonte de açúcar na sua composição, mesmo que este ingrediente seja desaconselhado no primeiro ano de vida do bebé.

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Açúcar: um motivo de alerta

De acordo com o documento Avaliação do perfil nutricional e da rotulagem de alimentos comercializados para crianças até aos 36 meses: um estudo exploratório, a presença de sal adicionado foi detetada em 25% dos alimentos e “47% das papas infantis, 50% das bolachas/snacks e 23% das refeições de colher têm pelo menos uma fonte de açúcar na sua formulação”.

Na prática, diz o INSA, dos 138 produtos alimentares para bebés dos seis aos 36 meses analisados, “aproximadamente 31% dos alimentos têm, pelo menos, uma fonte de açúcar indicada na lista de ingredientes”.  

Apesar de o açúcar estar presente em alguns destes alimentos, as alegações da sua ausência são também comuns. As alegações mais comuns nos alimentos para esta faixa etária, que muitas vezes são complemento da amamentação, são ‘sem adição de açúcares’ (presente em 69% dos produtos alimentares examinados), ‘sem corantes/conservantes’ (54%), ‘fonte de vitaminas/minerais’/‘enriquecido com vitaminas/minerais’ (36%), ‘sem adição de sal’ (33%).

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Dos 138 alimentos em estudo, 34 (25%) diziam respeito a papas infantis, 94 (68%) a refeições de colher, como sobremesas lácteas, purés de fruta e purés de carne/peixe, e dez (7%) a bolachas/snacks, todos eles destinados a crianças dos seis aos 36 meses e com essa mesma indicação na embalagem. 

Diz o estudo que aproximadamente 72% dos alimentos mostraram ser adequados para maiores de seis meses, 21% para maiores de oito meses (8+) e 7% para maiores de 12 meses. 

As recomendações do INSA

Para os autores do estudo, os investigadores Filipa Matias, Rui Vaz, Ricardo Assunção, Mariana Santos e Isabel Castanheira, “em aproximadamente 78% das refeições de colher e 29% das papas infantis deverá ser colocado um rótulo de advertência na parte frontal da embalagem, de forma a destacar o elevado contributo dos açúcares para o teor energético”. Esta é uma forma de quem compra saber, de facto, que ingredientes estão presentes e em que quantidades. 

Além disso, acrescentam os investigadores, “40% das bolachas/snacks não podem ser comercializadas por não cumprirem o limite máximo estabelecido”.

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Diz o estudo que os resultados obtidos “revelam a importância de uma monitorização e avaliação nutricional contínuas e reforçam a necessidade de se implementarem medidas efetivas que limitem a promoção de alimentos menos saudáveis destinados à faixa etária dos 6-36 meses”.

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