João Cotrim de Figueiredo quer a economia a puxar pelo ambiente, Rui Tavares quer o contrário (e depois há aquela medida que “salvava 20 TAPs”)

12 jan, 23:48

A Iniciativa Liberal considera que o processo de tornar o mundo mais amigo do ambiente é "caro", o Livre argumenta que “se o ritmo de mudança for como nos últimos 15 anos é normal que as pessoas estejam assustadas”: a ideologia foi mesmo a debate

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O debate entre João Cotrim de Figueiredo e Rui Tavares ia já avançado quando o presidente do Iniciativa Liberal trouxe para cima da mesa aquela que tem sido a medida mais polémica do programa do Livre: o Rendimento Básico Incondicional (RBI). “Se cada português recebesse 500 euros por mês incondicionalmente, teríamos uma conta anual que salvaria 20 TAP por ano”, disse o liberal. Cotrim de Figueiredo, antecipando que o Livre apenas quer testar o apoio, lembrou as falhas noutros países e tirou as próprias conclusões: “Essa medida ou é uma loucura absoluta ou uma mesada que quer dar a qualquer português”.

Para o liberal, o programa eleitoral não é local para fazer testes. “Se o Livre quer testar programas, nós queremos coisas testadas”, afirmou. Do outro lado, Rui Tavares estava pronto para a contra-argumentar com recurso a uma medida do Iniciativa Liberal. O RBI, disse, “custa um centésimo” daquela que é uma das principais bandeiras – ou antes, a “fezada” - dos liberais, a taxa única de IRS. Este imposto haveria de ser protagonista de outros momentos do confronto, com Cotrim de Figueiredo a lembrar que chegou a figurar no programa do Livre. “Nove anos depois, não vejo uma redução de IRS no vosso programa”, que Cotrim diz ser “a maneira mais rápida e direta parar subir salários”.

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Clima ou economia: quem puxa quem?

Iniciativa Liberal (IL) e Livre fizeram questão de usar o debate para explicar o modelo de sociedade que querem para o futuro. João Cotrim de Figueiredo classifica as ideias do rival como uma “sociedade utópica” e diz que o IL põe o crescimento económico “no centro das suas prioridades”.

Rui Tavares começou o frente a frente, precisamente, a defender um “novo modelo de desenvolvimento no país”, com uma economia mais especializada, a integrar conhecimento e verde. “Queremos um país de uma prosperidade partilhada”, "em que ninguém esteja abaixo do limiar da dignidade", resumiu.

Para o fundador do Livre, a emergência climática que o mundo atravessa “tem de ser entendida como uma oportunidade para a nossa transformação económica”. Cotrim de Figueiredo até concordou que as duas coisas têm de estar ligadas mas numa ordem diferente: é a economia a crescer que vai permitir descarbonizar, alegou.

O liberal confessou, uma vez mais, que não aprecia a expressão “emergência climática”, já que “a noção de alarme não é boa conselheira”. Porque, rematou, “a verdadeira emergência é a emergência da estagnação, dos salários baixos”.

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João Cotrim de Figueiredo avisou que o processo de tornar o mundo mais amigo do ambiente é “caro”, não vendo no programa do rival soluções para captar investimento. E concluiu: “Só fazendo a economia crescer é que é possível dar resposta às necessidades de correção dos problemas ambientais”.

“A ideologia tem que se adequar à realidade que está à nossa frente”, havia de lhe responder Rui Tavares. Para o fundador do Livre, “se o ritmo de mudança for como nos últimos 15 anos, é normal que as pessoas estejam assustadas”.

Medida retirada, proposta lançada

O Iniciativa Liberal chegou a propor no passado que os estudantes do ensino superior que recebem financiamento público para estudar deveriam ficar “devedores” do valor do curso, que pagariam assim na íntegra ao longo da vida. Mas a medida já não integra as promessas para esta corrida eleitoral. Cotrim de Figueiredo explicou que a ideia “não é exequível”, tendo sido retirada porque era “baseada numa noção que os salários em Portugal não justificam”. Mas não lhe fechou completamente a porta: “Acho que poderemos um dia lá voltar”.

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O cabeça de lista do Livre por Lisboa aplaudiu a decisão mas não poupou uma crítica: “Ainda bem que recuaram nessa medida, mas não têm nada para propor em troca”. E destacou uma proposta do partido, para criar um fundo público onde “quem beneficiou” do Ensino Superior contribuiria para os novos estudantes. “Justiça geracional”, classificou.

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