Liberais confiantes num futuro de crescimento, mas sem acordos com o Chega: "Se isso acontecer, será a morte do partido"

22 jan, 17:14
Convenção da Iniciativa Liberal (António Pedro Santos/Lusa)

A Iniciativa Liberal encerra este domingo a VII Convenção Nacional com a eleição de um novo líder para suceder a João Cotrim Figueiredo. Para já, o futuro ainda é incerto, mas os liberais estão confiantes na consolidação do partido no Parlamento e no Governo - desde que sem acordos com o Chega

Os liberais voltaram a vestir-se em tons de azul e branco para o segundo dia da VII Convenção Nacional da Iniciativa Liberal (IL), uma convenção histórica para o partido, uma vez que, pela primeira vez, há uma disputa interna pela liderança. Na sala central do Centro de Congressos, em Lisboa, discutiu-se o futuro do partido e abriu-se a porta a novos rumos. Mas há uma “linha vermelha” para muitos militantes que enfrentam agora um novo caminho sem o líder que os fez crescer, João Cotrim Figueiredo.

“O Chega é uma linha vermelha. Um partido que não defende a democracia e não é liberal nunca pode ser solução política para nós”, disse João Alves, um jovem militante liberal, de 23 anos, e estudante de Ciência Política, quando questionado pela CNN Portugal sobre possíveis acordos com o Chega para integrar um executivo no futuro.

O mesmo defende Carlos Eduardo, jovem liberal de 21 anos e estudante de Direito que se tornou membro da IL quando o partido ainda não tinha sequer representação parlamentar, no início de 2019. Para o jovem militante de Gondomar, a IL já tem ao seu dispor todos os ingredientes para continuar a crescer, e o partido de André Ventura não faz parte da receita.

“A IL tem tudo para vingar, é um partido visivelmente diferente daquele que temos no espectro político nacional. Somos diferentes em toda a linha: há quem diga que somos um Bloco de Esquerda da direita, outros dizem que somos o Chega com uns trocos no bolso. Somos liberais, ponto. (...) Temos tudo para ser o maior grupo do Parlamento”, vincou, acrescentando que “o Chega é uma linha vermelha daquelas muito grossas”.

“Se isso acontecer, será a morte do partido.” As palavras são de Tiago Prazeres, um jovem de 20 anos que não hesitou quando nos aproximámos para falar da causa liberal. O estudante de Bioquímica argumenta que “ninguém [na IL] se identifica com uma coligação com o Chega”. “É um partido que se distancia de nós não só na parte social e dos costumes, mas também na parte económica. Por muito que sejam de direita, eles têm várias medidas coletivistas na economia, como por exemplo, limites nos preços, excessivas regulações do Estado na parte económica, por isso não há negociação. É demasiado distante para qualquer ligação”, disse, convicto.

Bruno Abreu tem uma opinião contrária à dos militantes mais jovens. Para o consultor informático, de 40 anos, o importante é que a IL seja um partido no Governo, “independentemente de quem lá esteja”. E dá um exemplo.

“Imaginemos que a IL tinha um ou dois ministérios do PS - não falo do PSD, nem do Chega. Porque não? Desde que tivesse a garantia de autonomia [nos respectivos dossiês]. Temos de definir que para esses dois ministérios vamos trabalhar desta maneira e vamos mostrar porque somos diferentes."

Em relação ao Chega, em concreto, Bruno Abreu, que pela primeira vez participa numa convenção partidária, descreveu o partido como uma fruta que se “espreme e está seca”, sem conteúdo. “É um partido que está a crescer, mas é uma questão temporária”, vaticinou.

Estes militantes espelham as convicções dos candidatos à liderança dos liberais, uma vez que Rui Rocha traçou, desde o início da campanha eleitoral, uma linha vermelha com o Chega. "Não participaremos nem em acordos diretos, nem em acordos que têm algum tipo de triangulação com outros partidos que depois envolvam o Chega em soluções. Não estamos aqui para fazer nenhum tipo de normalização do Chega", assegurou, em declarações à CNN Portugal.

O mesmo garantiu Carla Castro, a candidata que conta com o apoio de figuras do partido, como o ex-candidato a Belém, Tiago Mayan. "É uma linha vermelha. A IL não fará acordos com o Chega", frisou à CNN Portugal.

José Cardoso foi o único candidato que mostrou alguma abertura para formar no continente um acordo semelhante ao que foi construído nos Açores, onde os liberais se juntaram a um acordo que dá suporte ao Governo de direita. "Numa coligação de governo nunca estaremos com o Chega. Num acordo parlamentar como foi feito nos Açores com o PSD, sem nenhum problema", explicou à CNN Portugal.

Resta agora saber qual será o rumo a seguir pelos liberais, que ainda não elegeram o novo líder que vai suceder a João Cotrim Figueiredo. A VII Convenção Nacional da IL está a ser marcada por longos atrasos na ordem dos trabalhos - atrasos que se justificam com o "número de inscritos" no último ponto dos trabalhos, no qual estavam a ser debatidas as listas ao Conselho Nacional, de Fiscalização e de Jurisdição, e que antecedeu o período da votação eletrónica para os órgãos nacionais.

O militantes liberais votam agora as 12 moções setoriais e só depois será efetuada a votação para a nova comissão executiva e, por consequência, o novo líder liberal.

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