IL diz que estatuto de candidato da Ucrânia deve ser atribuído “sem hesitação”, Chega quer processo “transparente”

Agência Lusa , BCE
17 jun, 18:09
Cotrim de Figueiredo com António Costa (Miguel A. Lopes/Lusa)

António Costa está a receber esta tarde os partidos com representação parlamentar para preparar o Conselho Europeu da próxima semana, com a adesão da Ucrânia à UE em destaque

O presidente da Iniciativa Liberal defendeu esta sexta-feira que deve ser atribuído à Ucrânia “sem hesitação” o estatuto de país candidato à União Europeia e lamentou que a posição portuguesa tenha sido “menos clara”.

“Reforçámos ao primeiro-ministro o que, desde a primeira hora, temos dito. Para a IL, a União Europeia é um espaço de afirmação político e de valores. O sinal que tem de ser dado nesta altura, e que a Ucrânia tanto precisa, é que o estatuto de candidato deve ser atribuído sem hesitações”, defendeu João Cotrim Figueiredo.

O presidente da IL falava aos jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, depois da reunião com António Costa e com o secretário de Estado dos Assuntos Europeus Tiago Antunes, que estão a receber os partidos com representação parlamentar para preparar o Conselho Europeu da próxima semana, em que se discutirão as candidaturas à adesão à União Europeia da Ucrânia, República da Moldova e Geórgia.

Por outro lado, o líder da IL lamentou que a posição portuguesa “tenha sido menos clara e que só depois da visita de três líderes europeus [a Kiev] se tenha tornado mais clara”, referindo-se à deslocação do presidente francês, Emmanuel Macron, do chanceler alemão, Olaf Scholz, e do primeiro-ministro italiano, Mario Draghi.

Acompanhado pelo líder parlamentar do partido, Rodrigo Saraiva, o presidente da IL frisou, contudo, que a concessão do estatuto de candidato à Ucrânia “não garante a adesão no fim do período de negociação”.

“Neste momento, em que estamos em guerra, é essencial que o sinal geopolítico seja dado, tudo o resto são temas importantes, mas que não devem confundir nem mitigar este sinal”, apontou.

Cotrim Figueiredo disse que, “sem menosprezar riscos” de uma futura adesão da Ucrânia, não existe, neste momento, “espaço para ambiguidade estratégica na União Europeia”.

“Foi a ambiguidade estratégica da UE que contribuiu, em parte, para o descaramento da Rússia”, afirmou.

Questionado se, neste momento, o primeiro-ministro lhe parece menos ambíguo, o presidente da IL não respondeu diretamente.

“Eu acho que o senhor primeiro-ministro está a misturar os vários planos, a UE é um espaço de comunhão de valores e princípios. Estes valores vêm, para nós, antes de quaisquer outros”, apontou.

Chega a favor da adesão à UE desde que processo seja “transparente”

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, manifestou-se a favor da adesão da Ucrânia à UE, desde que o processo seja “transparente e legal”, esperando que este não se atrase por questões económicas.

Pedro Pinto falava aos jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, depois da reunião com António Costa e com o secretário de Estado Adjunto, Tiago Antunes.

“Demonstrámos a nossa inteira disponibilidade para ajudar neste processo, estamos de acordo que seja feito. Ficamos algo preocupados, e esperamos que não seja uma questão meramente económica, se o processo de entrada da Ucrânia para a UE seja atrasado”, afirmou Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, acompanhado pelo deputado Bruno Nunes.

O Chega espera que isso não aconteça acrescentando que “desde que o processo seja transparente, legal” e “que toda a UE possa perceber o que se está a passar”, o partido liderado por André Ventura está de acordo com a adesão da Ucrânia – que neste momento ainda espera pela aprovação da concessão de país candidato à adesão à UE.

Questionado sobre se sentiu algum receio por parte do primeiro-ministro nesta reunião, relacionado com as questões económicas, Pedro Pinto admitiu que sim.

“Sentimos isso, poderá haver da parte do senhor primeiro-ministro alguma reserva porque sabemos que a Ucrânia é um país com 40 milhões de habitantes, portanto, uma entrada da Ucrânia na UE em comparação com Portugal será um país que poderá ganhar rapidamente muito mais força do que o nosso país na UE e por isso sentimos ali alguma preocupação”, respondeu.

Já quanto ao Chega, Pedro Pinto vincou: “desde que o processo seja transparente acompanhamos a entrada da Ucrânia na UE”.

PSD considera fundamental estatuto de candidato, mas como caso excecional 

O presidente do PSD considerou hoje fundamental que seja concedido à Ucrânia o estatuto de país candidato à União Europeia, mas defendeu que a situação deste país seja tratada como excecional.

“Aquilo que é a posição do PSD é aquela que desde o início do conflito temos transmitido: é absolutamente fundamental conceder esse estatuto à Ucrânia porque nós temos, em primeiro lugar, de demonstrar à Rússia que o que fez originou o efeito contrário do que pretendia. Não fazer isso é dar alguma vitória à Rússia e desmoralizar completamente a Ucrânia”, defendeu Rui Rio.

Rio falava aos jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, depois da reunião com António Costa e com o secretário de Estado dos Assuntos Europeus Tiago Antunes.

O presidente do PSD alertou, contudo, que numa futura negociação com vista à adesão à União Europeia da Ucrânia não se deverão “facilitar os termos dos requisitos necessários”, apenas eventualmente tornar o processo mais célere.

Numa reunião que demorou mais de duas horas, e que disse ter sido sobretudo sobre “o futuro da Europa”, Rio considerou que a situação da Ucrânia deve ter um caráter excecional no quadro da UE.

“Se começar a querer rapidamente e tudo ao mesmo tempo integrar uma série de outros países, aí é preciso pensar na reforma institucional da Europa para ser sustentável. O nosso conselho é que a Ucrânia seja isolada, no bom sentido, por ser um caso excecional”, apontou.

Para Rui Rio, antes do próximo alargamento, “tudo deve ser pensado”.

“Não gostaria de ver uma fuga para a frente que cedesse a este ou àquele só para integrar a Ucrânia”, afirmou.

Acompanhado do vice-presidente André Coelho Lima e do deputado Tiago Moreira de Sá, o presidente do PSD defendeu ainda que deve ser começado a desenhar um apoio à reconstrução da Ucrânia.

“A UE nasce não para desenvolver os países do ponto de vista económico, mas para garantir a paz na Europa. É nessa luta pela paz que devemos integrar a Ucrãnia com uma negociação o mais célere possível, mas sem abrandar na exigência dos critérios”, apontou.

Questionado se consegue perceber as declarações do primeiro-ministro, que alertou para o perigo de gerar falsas expectativas ao país, Rio disse compreender que tal possa ser verdade se, depois de ter o estatuto e candidato, depois “nada acontecer”.

“Não me parece que isso possa ser razão para não conferir o estatuto, é razão para se procurar que a adesão seja o mais célere possível”, apontou.

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