Entre as formas de combate à medida está o apelo a que não se gaste dinheiro no estádio em dias de jogo
A viverem uma temporada bem abaixo das expetativas, sobretudo depois dos quase 500 milhões de euros investidos em reforços, os adeptos do Liverpool perderam de vez a paciência com os donos do clube depois de terem sido anunciados aumentos nos preços dos bilhetes para as próximas três épocas.
Isso ficou bem explícito durante a receção dos Reds ao Fulham para a 32.ª jornada da Premier League, no último sábado, quando foi exibida, na bancada The Kop, uma tarja onde se lia «Não ao aumento do preço dos bilhetes». A iniciativa foi aplaudida por todo o estádio.
Para além da exibição da tarja, estão pensadas outras iniciativas de protesto, como não gastar dinheiro no estádio em dias de jogo, a retirada de bandeiras das bancadas ou o adiamento das renovações dos bilhetes de época até perto do final do prazo.
Mas, afinal, qual será a magnitude do aumento dos preços dos bilhetes para os jogos do Liverpool? Para 2026/2027, as subidas são estimadas entre 1,25 libras (1,44 euros) e 1,75 libras (2 euros), por jogo, e entre 21,5 libras (24,68 euros) e 27 libras (31 euros), nos bilhetes de época.
Apenas os bilhetes destinados a jovens e a adeptos que vivem nas redondezas de Anfield Road mantêm os preços atuais, de nove libras (10,33 euros).
Em média, nos próximos três anos, os ingressos por jogo vão encarecer entre 3 e 4,5 libras, o que em euros dá qualquer coisa como 3,44 e 5,74 euros, à taxa atual. Quanto aos bilhetes anuais subirão entre 53,5 libras (61,42 euros) e 67,5 libras (77,49 euros), no mesmo período.
«Estamos muito preocupados com o impacto de tudo isto a longo prazo. O futebol parece estar a gerar cada vez mais dinheiro e o Liverpool Football Club a ganhar mais do que nunca. É desnecessário», considera Jay McKenna, membro do Conselho de Adeptos do Liverpool.
O clube justifica a atualização dos preços dos bilhetes, em linha com as expetativas mais prudentes da evolução da taxa de inflação em Inglaterra (3 por cento), com o aumento dos custos operacionais. Com esta decisão, o Liverpool espera arrecadar mais 1,2 milhões de libras em receitas, qualquer coisa como 1,33 milhões de euros.
«Ninguém no Liverpool Football Club toma decisões sobre o preço dos bilhetes de ânimo leve. Temos a responsabilidade de gerir o clube de forma sustentável, e de o fazer com uma visão ambiciosa: competir por todos os principais troféus e continuar a ganhá-los», referiu o CEO do clube, Billy Hogan, numa carta endereçada aos detentores do bilhete de época.
O dirigente lembrou que, «tal como as famílias e as empresas em todo o país, todos estão a sentir as pressões do custo de vida - e o clube não é imune isso», salientando ainda que «receitas recorde não equivalem a lucro, tendo em conta os custos sempre crescentes, e isso é evidenciado pelas perdas que o clube tem reportado ao longo dos anos».
McKenna não se conforma, no entanto. «Apenas queremos que não tirem isso dos nossos bolsos», atira o adepto. Pede ao clube para «procurar alternativas ao nível dos patrocínios para aumentar as receitas» e deixa uma sugestão: «O Liverpool gastou cerca de 33 milhões de libras em comissões de agentes nos últimos 12 meses. Também se poderia abordar questões como essa.»
«A mensagem que passa por trás de tudo isto é que o nosso apoio é uma coisa que o clube monetiza, que vendemos para o mundo todo. Mas isso é nosso, somos nós que o proporcionamos. Os adeptos não querem levar as suas bandeiras para o estádio. Não vos vamos dar esses elementos visuais se não nos valorizarem», garantiu o adepto.
