Guardião do Liverpool escreveu uma carta emocionada para a família no «The Players Tribune»
Já se passaram quatro anos desde a morte do pai de Alisson Becker, guarda-redes do Liverpool, mas agora em 2025, o guardião decidiu escrever uma carta para a família homenageando o pai e desvendou que recebeu na altura apoio não só dos colegas de equipa mas também de adversários.
«Todos enviaram flores, manifestando os seus sentimentos. E não apenas dos meus companheiros de equipa, mas também de Pep Guardiola e Carlo Ancelotti, que enviaram cartas de condolências. Isso realmente tocou o meu coração. A cada 10 minutos, batiam à nossa porta, com um estafeta a trazer flores», começou por dizer Alisson ao «The Players' Tribune».
Foi um dos momentos mais difíceis da vida do guardião brasileiro e Klopp, à data treinador do Liverpool, compreendeu da melhor forma o que Alisson estava a passar.
«Nunca vou esquecer, o Klopp ligou-me, e eu estava a sentir-me muito culpado por perder o treino, porque estávamos fora das quatro primeiras posições, e precisávamos de todos os pontos possíveis. Mas Klopp disse para levar o tempo que precisasse. Ele tinha perdido o seu próprio pai, mais ou menos na mesma idade, e entendia muito bem a minha dor. Klopp não era apenas um técnico para mim, era como um segundo pai», referiu.
O pai de Alisson Becker faleceu durante a pandemia do COVID-19, afogado numa barragem no Brasil. O clube inglês queria pagar um avião privado para que o guarda-redes conseguisse ir ao funeral do pai, no entanto, com a esposa nos últimos meses de gravidez e ainda ter de fazer uma quarentena quando regressasse, Alisson optou por ficar em Liverpool e assistir à celebração por vídeochamada.
«Liguei para a minha mãe e o meu irmão, expliquei a situação, e esse foi o telefonema mais brutal da minha vida. Chorámos muito, mas, no final, decidi que o meu pai gostaria que eu ficasse com meus filhos e a sua 'filha favorita' e os protegesse, não importa o quão difícil fosse. Foi assim que ele viveu sua vida, e essa foi a melhor maneira de honrá-lo. [...] É verdade, eu não tinha mais nada para lhe dizer. Já tínhamos dito tudo. A única coisa que me restava dizer era “obrigado”. Não apenas por ser meu pai, mas por ser meu amigo», escreveu num texto com muita emoção.
A derradeira homenagem, para Alisson, aconteceu frente ao West Bromwich Albion quando o guarda-redes sobre à área adversária, e desfaz um empate num jogo importantíssimo para as contas da Liga dos Campeões.
«Lembro-me que olhei para o céu e era um daqueles dias cinzentos e chuvosos na Inglaterra. Mas para mim, o céu estava cheio de luz. Eu disse: "Pai… pai…. É para ti, pai"», referiu.
Na carta ao «The Players' Tribune», Alisson recordou os momentos de quando era criança e jogava com o seu pai e com o irmão Muriel [ex-Belenenses], em que «a carpete era o campo» e o pai era Taffarel, guarda-redes histórico brasileiro.
O guardião de 32 anos do Liverpool reconheceu como agora a história se repete, com os seus filhos. Quando antes ele e o seu irmão eram «Rivaldo, Bebeto, Ronaldo, Dunga», agora os seus filhos são «Salah ou Alexander-Arnold ou Vini Jr.», mas Taffarel, esse, continua presente.
«Não vais marcar hoje. Eu sou o Taffarel!», é o mote para as brincadeiras lá em casa, conta, recordando que era o mesmo que tinha com o seu pai.
Four years ago, @Alissonbecker lost his father.
— The Players’ Tribune (@PlayersTribune) April 29, 2025
He pens this letter to his family — at home and at @LFC. https://t.co/Cgr6SeoCB5
