Agente da polícia inglesa tira selfies em local de homicídio de jovem e envia imagens racistas pelo WhatsApp

29 dez 2021, 22:53
Crime em Londres
Crime em Londres

Um caso que está a indignar Inglaterra. Tribunal detalha várias ofensas e casos de má conduta ao longo de seis anos pelo agente Ryan Connolly, que renunciou ao cargo ainda antes de ser ouvido

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Um agente da polícia inglesa tirou várias fotografias a si próprio no local onde um adolescente foi esfaqueado até à morte e enviou imagens ofensivas, racistas e homofóbicas pela rede social WhatsApp.

Segundo avança o jornal The Guardian, o agente Ryan Connolly, do condado de Merseyside, no noroeste de Inglaterra, cometeu uma série de infrações durante cerca de seis anos - enquanto ainda era oficial de serviço.

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Durante o serviço, o polícia também tirou fotografias de pessoas em situação vulnerável em hospitais, nomeadamente em crise de saúde mental, enquanto estavam sob custódia policial.

De acordo com os documentos apresentados em tribunal a que o jornal britânico teve acesso, as infrações às regras da polícia inglesa começaram em 2014. O conselho disciplinar descobriu que Connolly tirava fotos ou tinha imagens no seu telefone que não deveria ter e que as partilhava com frequência.

O inquérito das autoridades revelou também vários casos de má conduta, nomeadamente:

  • Connolly tinha imagens grosseiramente racistas, uma delas a retratar muçulmanos. Também tinha uma imagem de um membro do Ku Klux Klan.
  • Em 2016 e 2017, durante o serviço, tirou fotografias através do seu telemóvel de vários homens com problemas mentais sob custódia policial e partilhou-as via WhatsApp. 
  • Enquanto estava ao serviço, tirou e enviou fotografias de homens hospitalizados em pelo menos duas ocasiões.
  • Tirou fotografias de pessoas que tinham sido detidas.
  • Em outubro de 2015, tirou uma fotografia de alguém que tinha cortado os pulsos e partilhou-a através do Whatsapp.
  • Em 2016 enviou uma mensagem gráfica homofóbica.
  • Em 2018, tirou fotografias dele próprio de um local do crime onde foi designado para vigiar o cordão de isolamento, depois de um adolescente ter sido morto à facada.
  • Tirou fotografias de várias vítimas de crimes, incluindo alguém desaparecido de casa e compartilhou detalhes sobre uma mulher que foi à polícia  à procura de ajuda, alegando ter sofrido violência doméstica.
  • Imagens a fazer troça de pessoas com deficiência.
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A polícia de Merseyside, contactada pelo The Guardian, afirma que as ações de Connolly "minaram a confiança do público nesta força policial" e foram um "insulto" para a maioria dos agentes que serviram ao público com distinção.

“Os nossos agentes realizam atos excepcionalmente corajosos e altruistas todos os dias, protegendo as pessoas mais vulneráveis da nossa comunidade, mas aqui vemos os atos desprezíveis de um indivíduo muito egoísta que não tem lugar no nosso serviço policial”, afirmou o porta-voz da polícia, Ian Critchley.

O tribunal disciplinar considerou Ryan Connolly culpado de má conduta grave. O agente renunciou ao cargo ainda antes da audiência em novembro mas, após a condenação do tribunal, foi formalmente demitido pela polícia de Merseyside.

Connolly juntou-se a esta força policial em janeiro de 2003, mas só em 2014 é que começaram as infrações. A polícia de Merseyside adianta que a sua unidade anticorrupção tinha identificado o agente e o seu “comportamento ofensivo”. Sabe-se ainda que Connolly teve uma associação a um conhecido criminoso, sem informar a sua chefia, e foi ilibado de tentar adquirir cannabis enquanto estava ao serviço.

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Quando questionado pelas autoridades, o homem não fez comentários, mas antes da audiência disciplinar, forneceu uma declaração por escrito, afirmando que não sabia porque é que as imagens ofensivas estavam no seu telefone.

“Eu tenho a percepção de saber que as imagens não deveriam estar na minha posse. Tem sido uma experiência de aprendizagem para mim estar mais atento aos grupos do WhatsApp em que estou e estar mais atento [ao] material que me é enviado.”, alega Ryan Connolly.

O ex-agente está agora impedido de voltar ao serviço durante toda a vida.

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