Os preços aumentaram muito? É verdade. Mas sentimos que aumentaram ainda mais

27 fev, 11:25
Pessoas fazem compras num supermercado no bairro de Manhattan, em Nova Iorque, a 20 de fevereiro de 2025. Charly Triballeau/AFP/Getty Images

Esta sensação não é um exclusivo do surto inflacionista. E há três motivos que explicam porque nos sentimos assim

Foi uma conjugação de fatores a alimentar a crise inflacionista de 2021 a 2023. Recuperação rápida do pós-pandemia, problemas nas cadeias de abastecimento e o choque energético com a guerra na Ucrânia.

Os preços subiram neste período, sim, mas não tanto como na sensação com que ficámos. Quem o garante é o Banco de Portugal que, numa imagem publicada esta sexta-feira, 27 de fevereiro, revela que “os consumidores sentiram que os preços estavam a subir muito mais do que efetivamente acontecia, quer em Portugal quer na área do euro”.

É com base na imagem abaixo que o regulador reitera que “a inflação observada pode ser muito diferente da inflação percebida pelos consumidores”.

E, embora se tenha notado mais neste período, não se trata de um fenómeno exclusivo da crise inflacionista de 2021 a 2023: os resultados obtidos “sugerem que a perceção de inflação na última década foi sistematicamente superior à inflação observada”.

A inflação acabou por convergir para “níveis mais moderados em 2025”, mas os consumidores continuaram a sentir que os preços subiram significativamente mais do que efetivamente aconteceu, tanto em Portugal como na área do euro”.

E como se explica isto? “As perceções podem ajustar-se de forma gradual”, ou seja, reagem mais lentamente a uma nova informação. Além disso, os consumidores poderão estar mais atentos aos preços dos bens essenciais, “cujos preços têm crescido acima da inflação total”. Por fim, tendo o período anterior ao surto inflacionista como referência, os consumidores tendem a “interpretar níveis de preços elevados” como uma “situação de inflação alta”.

“A inflação observada mede a variação efetiva dos preços dos bens e dos serviços consumidos pelas famílias ao longo do tempo. A perceção de inflação pode ser calculada tendo em consideração as respostas à questão ‘A que taxa aumentaram/diminuíram os preços para o consumidor nos últimos 12 meses?’, colocada em inquéritos aos consumidores”, explica o regulador.

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