Alemanha anuncia descida de impostos para ajudar famílias a enfrentar a inflação. E Portugal? Deveria seguir o mesmo caminho?

12 ago, 19:08
Supermercado (Getty Images)

A opinião dos antigos ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Luís Campos e Cunha

Na tentativa de combater a inflação, a maior economia europeia já pôs mãos à obra: a Alemanha anunciou esta quarta-feira um corte no IRS e um aumento no abono para as famílias.

“Os pensionistas, os trabalhadores sujeitos a contribuições para a segurança social, os trabalhadores autónomos: pessoas de toda a sociedade vão ser beneficiadas”, disse o ministro da Economia alemão, Christian Lindner.

Em Portugal, ainda não foram tomadas quaisquer medidas. Deveria o país seguir o mesmo caminho? 

Manuela Ferreira Leite, antiga ministra das Finanças, diz que sim. "Com inflação ou sem, a única forma de termos alguma competição com os outros países é mexendo com os escalões do IRS", adianta à CNN Portugal, explicando que no combate à inflação não se pode ter "medo de défices orçamentais". 

"A Alemanha, seja com medidas fiscais ou com subsídios de apoio, está a perder receita para combater os efeitos de inflação", continua.

Por outro lado, o antigo ministro das Finanças Luís Campos e Cunha lembra que Portugal já tomou algumas medidas, ainda que possam ser insuficientes.

"Em Portugal já se fez alguma coisa: as medidas relativas aos combustíveis, os 60 euros por apoio social", exemplifica.

Campos e Cunha diz ainda que as medidas avançadas pela Alemanha não são de combate à inflação, mas sim "medidas para mitigar as consequências sociais da inflação"."Os preços sobem, as pessoas desfavorecidas ficam mais vulneráveis e é a pensar nessas pessoas".

O economista acredita que, da parte do Governo, todos os apoios podem ser atualizados: "o abono de família e as bolsas de estudo são importantes e merecem ser atualizados".

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