Eu vou usar os €125 no seguro do carro. Eu no supermercado. Eu no IMI ("o que o Estado dá, o Estado leva"). E você?

6 set, 18:20
Supermercado (Getty Images)

É o tema mais falado no país: o Governo vai dar 125 euros a não pensionistas que ganhem até €2700 brutos. Eis como algumas famílias vão gastar este dinheiro

Casal: pagar IMI e comprar produtos para bebé

Sara Ferreira sabe bem para onde dirigir os 125 euros que o Governo vai dar aos portugueses em outubro para compensar a escalada da inflação: vai compensar a segunda prestação do IMI. O imposto sobre a casa na Amadora, onde vive com o marido e o filho bebé, foi dividido em duas prestações. O cheque anunciado na segunda-feira não chega para os 137 euros da segunda tranche.

“Na prática, o valor nem abate o que sou obrigada a pagar ao Estado por uma casa que é minha. O que o Estado dá é para devolver ao Estado. E não chega”, lamenta esta assessora de comunicação. A família de Sara vai receber 300 euros: 125 para ela e para o marido, mais 50 pelo bebé. Mas também este último valor já tem destino.

“Os 50 euros dão para uma lata de leite e um pacote de fraldas. É o que gasta por semana. O Estado acha que alimentar o meu filho é o suficiente para ele não morrer de fome”, explica esta mãe, lamentando que o filho não tenha direito ao abono de família.

Para Sara Ferreira, “o que faria sentido era diminuir as taxas sobre os ordenados para que possamos trazer mais dinheiro para casa”.

Desempregado: gastar nas contas do supermercado

Tiago Alves ficou desempregado em junho, pouco tempo depois de a filha nascer. Por isso, com um subsídio de desemprego “muito baixo”, tudo conta na hora de equilibrar o orçamento familiar, incluindo os 125 euros anunciados pelo primeiro-ministro.

“É sempre uma ajuda com as contas, principalmente com uma filha de quatro meses. Mas claramente não é suficiente face ao período que estou a passar e ao aumento dos preços”, diz este comercial.

Tiago, a mulher e a filha vão receber um total de 300 euros em outubro. Nos últimos meses, conta, sentiu o impacto da inflação nas idas ao supermercado, no gasóleo e ao comprar bens de saúde para a filha. Se pudesse decidir medidas, este desempregado do Porto sabia bem o que faria para aliviar o quotidiano de outros como ele: “Se a ajuda fosse mensal já era bom. Agora, sendo pontual, não resolve nada. Se fizermos as contas, dá 34 cêntimos por dia num ano”.

Solteira: pagar o seguro do carro

Pelas redes sociais circulam os mais diferentes relatos sobre que usos dar aos 125 euros: das recorrentes idas ao supermercado ao posto de combustíveis, passando pela fatura do psicólogo ou multas de estacionamento. Há quem assegure que vá guardar para pagar impostos. E depois há Joana Santos, que vai usar o cheque do Governo para pagar parte do seguro do carro.

“Vou mesmo usar os 125 euros para pagar o seguro do carro. E já vem tarde. Devia vir agora já em setembro”, conta esta assistente executiva. Licenciada, a viver em Lisboa, revela à CNN Portugal que tem adotado diferentes estratégias para lidar com a subida do custo de vida: “Sobretudo nas refeições fora. Era uma pessoa que jantava fora com regularidade. Deixei de o fazer. Janto fora duas vezes por mês, no máximo”.

Joana Santos deixou o ginásio, reduziu as compras do supermercado ao “básico do básico” e praticamente deixou de fazer uma das coisas de que mais gosta - sair à noite. “Começa a não fazer sentido estar em Lisboa. Estou cá mas ao mesmo tempo não estou. Não consigo aproveitar a cidade.”

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